domingo, 31 de maio de 2009

Garapa

Qualquer prato de comida, por mais light que seja, parecerá indigesto após a sessão do documentário Garapa, de José Padilha.
À mesa, não se senta a família do comercial de margarina, mas representantes de 11,5 milhões de pessoas que vivem em situação de insegurança alimentar no país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).
Em preto e branco, o filme de Padilha (Ônibus 174 e Tropa de Elite) registra o cotidiano vazio de três famílias do Ceará, que aplacam a fome de seus filhos com a garapa do título, composto de água e açúcar servido às crianças para substituir o leite praticamente inexistente.
Sem trilha sonora, com câmera na mão e lentes fixas, Garapa quer que o espectador olhe de perto as estatísticas já conhecidas, durante longos e angustiantes 110 minutos.
É parte desse jogo, então, a transmissão de informações sobre mortalidade infantil e a apresentação de imagens recorrentes de crianças cobertas por moscas.
Padilha começa o filme como fez Nelson Pereira dos Santos em Vidas Secas (1963). Só que, aqui, os passos decididos do protagonista Fabiano e sua gente são substituídos pelo caminhar automático de mães, que peregrinam até o povoado mais próximo em busca de comida.
A cena documental ganha moldes de ficção graças a montagem de Felipe Lacerda (Ônibus 174, Entreatos e Se Eu Fosse Você) que, paralelamente, contrapõe a caminhada das mulheres à espera das crianças em casa.
O longa foi filmado em 2005, mas só agora chega aos cinemas. A produção foi interrompida depois que o diretor recebeu o convite para realizar Tropa de Elite (2007), vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. Mas o tempo ajudou Padilha que adquiriu agora maior visibilidade para levantar a bandeira contra a fome no Brasil e no mundo.
Garapa também tem sido visto como arma para pleitear a aprovação de um Projeto de Emenda Constitucional para transformar a alimentação em direito garantido pela Constituição.
Pela boca de personagens subnutridos, projetos como o Bolsa Família e o Fome Zero, são legitimados embora considerados insuficientes. A solução, no entanto, parece distante já que essas pessoas estão longe de se inserirem no contexto econômico de mercado, uma vez que não consomem nem o básico.
Em Garapa, o ser humano não tem autoestima, não tem sonhos e aceita, resignado, sua condição frente à vida e debita a conta à vontade de Deus. A questão é que Padilha aponta a câmera não para indivíduos, mas para um grupo de desvalidos, coeso e uniforme, que desperta a mesma compaixão que um animal maltratado.
Por mais que se tente, não se consegue enxergar as pessoas, e o material humano é mero objeto quando o que importa mesmo é o tema. Mas é mérito do filme nos fazer corar de vergonha diante do desperdício e da banalização do consumo de alimentos nos restaurantes da vida.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Depois de 'Crepúsculo', Pattinson vira o queridinho de Hollywood

O britânico Robert Pattinson virou uma mania entre as adolescentes depois de viver o vampiro Edward Cullen em Crepúsculo. O filme baseado no livro de Stephenie Meyer abriu portas para o ator de 23 anos, que agora é um dos novos queridinhos de Hollywood.
Pattinson começou a carreira aos 15 anos, depois que seu pai o convenceu a entrar em um grupo de teatro. Depois de muitos "nãos", seu primeiro papel (mínimo, por sinal) foi em uma peça chamada Guys and Dolls. Logo depois, ele estreou na TV.
Quando conseguiu a primeira oportunidade no cinema, em Feira das Vaidade (2004), protagonizado por Reese Witherspoon, a cena em que ele apareceu acabou sendo cortada na edição final (ela está apenas nos extras do DVD). Em 2005, entrou para o elenco da peça The Woman Before, mas foi demitido um dia antes da estréia.
No mesmo ano, porém, Pattinson conseguiu seu primeiro papel de destaque, em Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005), no qual interpretou Cedrico Diggory.
Depois, atuou nos filmes para a TV The Haunted Airman (onde interpreta o jovem e perturbado piloto Toby Jugg) e The Bad Mother's Handbook, além de trabalhar nos longas The Summer House e How to Be.
Mas o ano de 2008 foi, sem dúvida, o mais marcante para Pattinson. Foi quando ele conseguiu dois papéis essenciais para sua carreira: Edward Cullen em Crepúsculo e Salvador Dalí em Little Ashes. No último, o ator causou polêmica ao protagonizar uma cena sexo com outro homem.
Atualmente, o ator está prestes a encerrar as filmagens de Lua Nova, segundo filme baseado na saga que começou com Crepúsculo, e que terá ainda Eclipse e Amanhecer, todas com participação confirmada de Pattinson.
Além desses, o ator já tem outros projetos engatilhados. Pattinson foi escalado para atuar com Hugh Jackman e Rachel Weisz em Unbound Captives, e vai estrelar o drama romântico Remember Me, além de Bel Ami, adaptação de um conto escrito por Guy de Maupassant.
Carreira musicalNem todo mundo sabe que Robert Pattinson também é músico, ele toca piano e violão. O ator já tocou em uma banda, chamada Bad Girls, que hoje pertence à sua ex-primeira-namorada e ao atual namorado dela.
Duas composições de Pattinson (Never Think e Let Me Sign) foram incluídas na trilha de Crepúsculo e, em 2005, ele interpretou três canções de Joe Hastings no filme How To Be, no qual vive um músico financeiramente e emocionalmente dependente dos pais.
O diretor de How to Be chegou a declarar à revista People que, antes do rodar o filme, Pattinson estava pensando em deixar de atuar para se dedicar mais à música. Mas agora, com tantos compromissos como ator, ele com certeza se esqueceu da idéia.
Curiosidades- Pessoas próximas no set de Lua Nova contaram à imprensa que o ator não tomava banho. Pouco depois, colegas de elenco negaram que ele cheirasse mal.
- As irmãs mais velhas de Robert Pattinson costumavam vesti-lo como uma garota até ele fazer 12 anos. Elas o apresentavam para as pessoas como Claudia.
- O ator odeia o próprio nome. Ele disse que gostaria de se chamar Spunk Ransom.
- Durante as filmagens de Crepúsculo, Pattinson se machucou no primeiro dia de filmagem. Ele torceu o joelho em uma cena com Kristen Stewart.
- Enquanto filmava Crepúsculo, um fã pediu que Pattinson tirasse uma foto fingindo morder a cabeça de um bebê.
Redação Terra

Atores gravam cena de beijo de 'Lua Nova' na Itália

Robert Pattinson e Kristen Stewart rodaram a cena do reencontro de seus personagens, Edward e Bella, em Montepulciano, na Itália, nesta quarta-feira (27/05). O jornal Daily Mail publicou fotos de uma cena romântica deles e também dos bastidores da gravação.
Após rodarem a cena de beijo, os atores mostraram intimidade no set de filmagens. Nas fotos, eles aparecem abraçados e rindo.
E as fãs de Robert Pattinson não precisam ficar preocupadas: os pontinhos pretos espalhados pelo corpo do rapaz não são marcas de alguma doença rara. Esses pontinhos são usados para criar, posteriormente, os efeitos especiais do brilho da pele do vampiro vivido pelo ator.
Lua Nova estréia em 20 de novembro nos Estados Unidos. No Brasil, a data de lançamento é 19 de dezembro.

Cine Marabá reabre no Centro com cinco novas salas

Reforma do prédio de 1944 demorou 20 meses.Projeto de restauração custou R$ 8 milhões.
O cine Marabá, um dos cinemas mais antigos de São Paulo, reabre para o público neste sábado (30), após passar por uma reforma que durou quase 20 meses. O espaço onde antes funcionava uma única sala, com capacidade para 1.655 pessoas, foi dividido em cinco ambientes, que exibirão sete filmes por semana.
As obras de restauro do prédio, tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp), foram assinadas pelo arquiteto Samuel Krushin e custaram cerca de R$ 8 milhões. O Marabá foi inaugurado em maio de 1944, com a exibição do filme “Desde que partiste”, drama de John Cromwell, com Shirley Temple e Claudette Colbert no elenco.
Segundo o arquiteto Ruy Ohtake, que começou a desenvolver o projeto da reforma em 1999, foram preservados o saguão e a fachada no Marabá, localizado na avenida Ipiranga, 757, quase esquina com a São João, no centro da capital.
“O mármore das paredes, o piso de madeira, os lustres, os pilares e as portas foram mantidos. Só acrescentamos uma bombonière, adequada ao projeto original do hall”, explica Ohtake. “As duas escadarias que dão acesso ao balcão também só passaram por um processo de restauro”, diz Ohtake, que ainda se lembra da primeira vez que esteve no cinema.
“Fui assistir a ‘Floradas na serra’. Eu era muito fã dos filmes da Vera Cruz”, diz o arquiteto, citando a produção de 1954.
O balcão do piso superior ganhou duas novas salas de exibição - uma delas para filmes em 3D - enquanto no térreo há agora três salões ovais, com capacidade de público que varia de 150 a 450 pessoas. “O que fizemos foi aproveitar o grande espaço com salas menores, e assim ter um cinema moderno, dentro de um espaço antigo”, conta Ohtake.
Segundo o arquiteto, o único problema que os frequentadores poderão enfrentar é onde deixar o carro. “Por enquanto, fizemos um convênio com o serviço de manobrista do Bar Brahma, vizinho do cinema”, diz. “Mas futuramente o Marabá terá seu próprio estacionamento”.
A distribuidora PlayArte cuidará da programação do Marabá. A partir de sábado (30), o cinema exibirá os filmes “Monstros vs. Aliens”, “Dias dos namorados macabro”, “Divã”, “Killshot - Tiro certo”, “Uma noite no museu 2”, “A festa do Garfield” e “Anjos e demônios”.
Os ingressos custarão R$ 10 (às quartas) a R$ 16 (na sala maior, com exibições em 3D).

Animação reconta 'Dom Quixote' pelos olhos de um burro

Burro do escudeiro Sancho Pança é o narrador em 'Donkey Xote'.Filme estreia nesta sexta-feira (29) nos cinemas do país.
A animação espanhola "Donkey Xote" parte de uma ideia inusitada: recontar a famosa história do cavaleiro Dom Quixote pelos olhos do burro de Sancho Pança, o escudeiro do protagonista do clássico de Miguel de Cervantes. Mas a originalidade do longa, que estreia no país na sexta-feira (29) em cópias dubladas em português, termina por aí.
No pôster do filme lê-se: "Dos produtores que assistiram a 'Shrek'". Mas também poderia estar escrito: que viram "A fuga das galinhas" e "O rei leão", tamanha a semelhança de alguns personagens com os dessas animações.
O centro do filme é Rucio, o burro do escudeiro, que sonha ser um cavalo de porte. É ele que narra a história, alegando que a versão conhecida está errada. Quixote aparece muito mais centrado do que no romance e mais apaixonado por Dulcinéia, uma verdadeira dama.
A ação começa com Quixote sendo desafiado para um duelo em Barcelona pelo misterioso Cavaleiro da Meia Lua. Ambos disputam o amor de Dulcinéia. Quixote leva seu cavalo, Rocinante, e Sancho, seu burro. No caminho, o quarteto viverá diversas aventuras - entre elas com um grupo em busca de dinheiro e fama.
Moinhos de vento, cavaleiros poderosos e duelos perigosos complementam a jornada de Quixote. No entanto, há um problema sério: o cavaleiro jamais perdoou seu amigo escudeiro por ter visto Dulcinéia, mas tê-la deixado fugir. E eles também terão de acertar essa diferença.
O Cavaleiro da Meia Lua diz que conhece o paradeiro da dama e levará Quixote ao seu encontro, se ele vencer o duelo. Mas também há um outro vilão, sem uma motivação muito convincente, a não ser a inveja que nutre por Quixote.
Esses ingredientes, nenhum muito empolgante, são mal combinados num roteiro que não se preocupa em desenvolver personagens, ação ou mesmo em criar diálogos divertidos ou inspirados.
* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

Estúdio anuncia lançamentos de 'Shrek 4', 'Madagascar 3' e 'Kung Fu Panda 2'

Dreamworks Animation divulgou nesta quinta (28) as datas de estreia.Segundo presidente do estúdio, todos os longas terão cópias em 3D digital
A Dreamworks Animation divulgou nesta quinta-feira (28) sua programação de lançamentos até 2012, que inclui os novos filmes das séries "Shrek", "Madagascar" e "Kung Fu Panda". O estúdio também anunciou os títulos oficiais dos projetos.

De acordo com o presidente do estúdio, Jeffrey Katzenberg, daqui para frente, todas as animações da Dreamworks contarão com cópias em 3D digital.

O quarto filme de Shrek chegará aos cinemas em maio de 2010 sob o título "Shrek forever after" (algo como "Shrek para sempre") e terá direção de Mike Mitchell.

"Kung Fu Panda" retorna às telas com a sequência "The Kaboom of Doom", prevista para entrar em cartaz em junho de 2011. O filme deve contar com a direção da estreante Jennifer Yuh.

Já "Madagascar 3", ainda sem título oficial, tem estreia prevista somente para 2012 e contará com a direção de Eric Darnell, que participou do roteiro dos dois primeiros longas. Na nova trama, os personagens vão viajar à Europa junto com um grupo de circo.


Filmes originais
A Dreamworks também anunciou suas novas apostas, como a animação de super-heróis "Oobermind", que será dublada por Robert Downey Jr. e Tina Fey. O astro de "Homem de Ferro" vai emprestar sua voz para um super-vilão que enfrenta problemas depois de matar acidentalmente seu rival, o herói Metroman. O longa terá produção executiva de Ben Stiller e tem estreia prevista para novembro de 2010.

O Gato-de-botas de "Shrek" vai ganhar seu próprio filme em março de 2012, sob o título "Puss in boots". O diretor de "Shrek Terceiro", Chris Smith, estará à frente da produção.

Outra novidade é a fantasia "How to train your dragon", comandada pelo cineasta Chris Sanders (de "Lilo & Stitch"), que deve estrear em março de 2010. Ambientada no mundo dos Vikings, a trama gira em torno de um adolescente que faz amizade com um dragão ferido.

Em novembro de 2011, o estúdio deve lançar "The guardians", que traz personagens como o Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa e outros em luta contra o vilão Bicho-Papão. O cineasta estreante Jeff Lynch vai comandar o projeto.

Vencedor de Oscar estrangeiro aborda esquema nazista de falsificar dinheiro

Drama austríaco 'Os falsários' estreia nesta sexta no Rio e em SP.Longa conta história de um pintor judeu que colabora com a SS.
Quando parece que todas as abordagens sobre o Holocausto já foram exploradas, surge um filme que traz uma nova camada à história, como o drama austríaco "Os falsários", que estreia nesta sexta-feira (29) em São Paulo e no Rio de Janeiro. Baseado num livro de memórias, o longa ganhou o Oscar de melhor filme em língua estrangeira no ano passado.
Como muitos filmes sobre a questão, esse conta a história de um sobrevivente. No caso, Adolf Burger (interpretado por August Diehl). Ele narra um esquema organizado pelos nazistas envolvendo Salomon Sorowitsch (Karl Markovics), um pintor bon vivant que, ao ser levado para o campo de concentração de Sachsenhausen, porta no uniforme não apenas a estrela de Davi amarela, que o identifica como judeu, como também um triangulo verde, que indica sua condição de criminoso.
O escritor Primo Levi, também sobrevivente de um campo de extermínio, disse em um de seus livros que "os piores, ou seja, os mais aptos, sobreviveram". E Sorowitsch se mostra um dos mais aptos na arte de sobreviver, usando suas habilidades com pinceis e tintas e se tornando uma espécie de pintor da SS, retratando oficiais e suas famílias. Por isso, ele ganha regalias e participa de um esquema especial montado pelos nazistas.
Com uma equipe, o protagonista falsifica dólares e libras que serão usados para desestabilizar os mercados dos Estados Unidos e da Inglaterra. Embora ele e seus companheiros da oficina de falsificação tenham alguns privilégios, a ameaça de morte também é constante, além da questão moral que enfrentam, pois, para salvar suas vidas, colaboram com os inimigos.
Curiosamente, o autor do livro, Adolf Burger, surge em "Os falsários" como o personagem de moral do filme. Comunista, ele não pensa duas vezes antes de tentar sabotar o plano, colocando em risco a vida de Sorowitsch que, no fundo, parece ver todo o esquema de falsificação como mais um trabalho artístico, sem a implicação que envolve toda a operação.
Roteirizado e dirigido pelo austríaco Stefan Ruzowitzky, "Os falsários" tem uma boa história, mas nem sempre bem contada. Muitas vezes, o filme se deixa levar por um tom excessivamente melodramático ou por uma falta de sutileza, deixando de ser tão envolvente como poderia ser.
Por outro lado, a presença de Markovics no papel principal ajuda a contornar alguns dos problemas do filme. Numa das cenas, o personagem diz que não dará aos nazistas a satisfação de o fazerem se sentir culpado por sobreviver. O personagem crê nisso com tanta convicção que não se sente culpado diante de todas suas concessões morais.
(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)
* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb