terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Confira 20 lançamentos do cinema que você não pode perder em 2010

Conheça os filmes mais esperados e as respectivas datas de estreia.
Ano terá 'Homem de Ferro 2', 'Tropa de elite 2' e o quarto 'Shrek'.










Carla Meneghini
Do G1, no Rio


Em 2009, Hollywood teve grandes lançamentos, como "Lua Nova", "Harry Potter e o enigma do príncipe" e "Avatar", e também viu surgirem surpresas, como "Se beber não case" e "500 dias com ela". Mas 2010 promete não ficar para trás, com um calendário de lançamentos aguardados a caminho, tais como "Homem de Ferro 2", "Alice no país das maravilhas", de Tim Burton, e "Shrek para sempre", o quarto filme da série.


'Homem de Ferro 2', 'Alice', 'Lobisomem' e 'Shrek 4' chegam aos cinemas em 2010 (Foto: Divulgação) O cinema nacional também prepara um ano cheio de novidades, que já será aberto por "Lula, o filho do Brasil", com estreia na sexta-feira (1), e ainda terá a sequência de "Tropa de elite" e a adaptação do livro de Bruna Surfistinha, protagonizada por Deborah Secco.


O G1 preparou a lista abaixo com 20 filmes que você não pode perder em 2010, organizados por data de estreia. Eleja os seus favoritos e programe-se. Lembrando que as datas previstas podem ser alteradas pelas distribuidoras.

1º de janeiro
'Lula, o filho do Brasil', de Fabio Barreto
O diretor de "O quatrilho" conta a história da infância e da juventude do presidente Lula, em uma produção com orçamento de cerca de R$ 12 milhões. Glória Pires está no elenco, no papel da mãe do protagonista.


8 de janeiro
'Sherlock Holmes', de Guy Ritchie
Robert Downey Jr. encarna o famoso detetive numa adaptação moderninha da obra de Conan Doyle. Jude Law e Rachel Adams também integram o elenco.


15 de janeiro
'Onde vivem os monstros', de Spike Jonze
O cineasta indicado ao Oscar por "Quero ser John Malkovich" faz uma ousada adaptação do clássico da literatura infantil de Maurice Sendak, que encanta gerações de crianças há cerca de quatro décadas.


22 de janeiro
'Amor sem escalas', de Jason Reitman
Estrelada por George Clooney, a comédia já inicia o ano como uma das mais esperadas, já que é líder em indicações ao Globo de Ouro, participando da disputa em seis categorias. O diretor é o mesmo de "Juno", de 2007.

'Nine', de Rob Marshall
O musical, que concorre ao Globo de Ouro em cinco categorias, reúne um elenco de beldades, com Nicole Kidman, Penelope Cruz, Kate Hudson e Marion Cotillard, sob o comando do diretor do premiado "Chicago".

29 de janeiro
'Invictus', de Clint Eastwood
Morgan Freeman encarna o líder sul-africano Nelson Mandela nesse drama baseado em fatos reais. Matt Damon também está no elenco.


5 de fevereiro
'Um olhar do paraíso', de Peter Jackson

O cineasta da série "O senhor dos anéis" retorna às telas com uma fantasia sobre uma menina que tenta se comunicar com a família depois que é brutalmente assassinada. Com Mark Wahlberg, Rachel Weisz e Susan Sarandon.


12 de fevereiro
'O lobisomem', de Mark Romanek
O terror de época traz Benicio Del Toro como um homem que se transforma em monstro depois que é atacado por lobos. A superprodução traz efeitos especiais prometem impressionar e, de quebra, a atuação do veterano Anthony Hopkins.


19 de fevereiro
'Um homem sério', de Joel e Ethan Coen
Vencedores do Oscar por "Onde os fracos não têm vez", os irmãos Coen retornam com essa comédia de humor negro ambientada nos anos 1960.


5 de março
'Ilha do medo', de Martin Scorsese
Depois do premiado "Os infiltrados", Leonardo DiCaprio volta a trabalhar com o diretor veterano nesse filme policial. Mark Ruffalo e Ben Kingsley também integram o elenco.


2 de abril
'Alice no país das maravilhas', de Tim Burton

Com projeção em 3D, a superprodução faz uma adaptação pop do clássico de Lewis Carroll, misturando atores com animação. Com Johnny Depp e Anne Hathaway.


30 de abril
'Homem de Ferro 2', de Jon Favreau
Robert Downey Jr. interpreta novamente o herói Tony Stark nessa sequência da aventura, que traz como novidade Scarlet Johansson no papel da Viúva Negra.


14 de maio
'Robin Hood', de Ridley Scott
Russell Crowe volta a trabalhar em parceria com o diretor de "O gladiador" nessa refilmagem. Cate Blanchett também está no elenco.


28 de maio
'Sex and the city 2', de Michael Patrick King
A versão cinematográfica da série ganha uma continuação. A trama, com Sarah Jessica Parker e companhia, ainda é guardada em segredo.


18 de junho
'Bruna Surfistinha - O doce veneno do escorpião', de Marcus Baldini
Deborah Secco protagoniza a história da menina de classe média que virou garota de programa, transformada em livro de sucesso.


25 de junho
'Toy Story 3', de Lee Unkrich

O estúdio Pixar retorna às suas origens ao dar sequência à série que revolucionou a história da animação e dá um passo à frente ao investir na projeção 3D.


30 de junho
'Eclipse', David Slade
Na terceira parte da saga "Crepúsculo", lobisomens e vampiros devem trabalhar juntos para expulsar um grupo de vampiros maus das redondezas. Robert Pattinson e Kirsten Stewart repetem seus papéis no romance.



9 de julho
'Shrek para sempre', de Mike Mitchell
O ogro mais famoso do cinema ganha um quarto longa-metragem, em que Shrek se vê nostálgico, com saudades dos tempos em que tinha uma vida mais simples.

13 de agosto
'Tropa de elite 2', de José Padilha
O fenômeno do cinema nacional ganha continuação, com Wagner Moura de volta ao papel de Capitão Nascimento. A trama começa 15 anos depois do final do primeiro filme e mostra o crescimento do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio (Bope) e a formação das milícias na cidade.


20 de agosto
'Os mercenários', de Sylvester Stallone
Com cenas rodadas em diversas partes do Rio, o longa-metragem de ação traz Stallone como protagonista e a atriz Giselle Itié no elenco.


AVISO: Os 20 filmes desta lista foram selecionados de acordo com suas datas de estreia. "Harry Potter e as relíquias da morte" não consta na reportagem porque a previsão para que chegue aos cinemas é apenas em novembro.


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Crítica: Sempre ao seu Lado


Drama inspirado em história real faz chorar com lealdade entre um cachorro e seu dono
23/12/2009
Marcelo Forlani
Acredito que todo mundo que vai ao cinema deve ter ouvido a frase "o cachorro morre no final", quando alguém queria fazer uma gracinha sobre o filme Marley e Eu. Bom, sem querer fazer piada, mas pensando em preparar o espírito de quem está escolhendo o que assistir já adianto que Sempre ao seu Lado (Hachiko - A Dog's Story, 2009) também vai te fazer chorar. Muito! E não é porque o cachorro morre no final. É bem antes que as primeiras lágrimas vão começar a sorrateiramente se alojar nos cantos dos olhos, para depois correr em cascata. Mas o filme também vai te fazer sorrir e refletir sobre o nosso dia-a-dia e as relações que realmente interessam.


O longa é uma adaptação de uma história real, que aconteceu no Japão no início do século. Hachiko é o nome de um cachorro da raça akita que ficou famoso em todo o país depois que apareceu em reportagens de jornais que contavam sua história de lealdade ao seu dono, um professor da Universidade de Tóquio. Todos os dias Hachiko acompanhava seu amigo até a estação de trem e estava lá quando ele voltava para casa.


A história deste cachorro virou uma lenda no Japão e foi usada em escolas e casas para ensinar às crianças a importância lealdade entre amigos. Serviu também para despertar no país uma onda de criações de akitas, raça pura japonesa que estava cada vez menos popular. Há hoje na estação de Shibuya uma estátua de Hachiko, no lugar onde ele ficava esperando seu dono voltar.


Na versão estadunidense da história, Hachiko continua sendo um akita. Ele é achado quando ainda é um filhote em uma estação na periferia de Nova York pelo professor universitário Parker Wilson (Richard Gere), que o leva para casa. No início, sua esposa (Joan Allen) se recusa a adotar o novo morador, mas é tocada pela cativante relação entre os dois.

Um personagem que faz a ponte entre as duas versões explicando um pouco da mentalidade e crenças japonesas é o também é um professor universitário Ken (Cary-Hiroyuki Tagawa). Ele explica ao amigo que talvez não tenha sido ele quem achou Hachiko, mas sim que o cão o escolheu como seu dono. É ele também que explica que "hachi" é o numeral japonês para oito, um número especial, que simboliza a ligação entre os planos terrenos e espirituais.


A direção do sueco Lasse Hällstrom (Regras da Vida, Chocolate, O Vigarista do Ano) carrega no drama, incorporando elementos tipicamente ocidentais que certamente não estiveram na versão japonesa do filme, Hachiko Monogatari, sucesso de 1987. É o caso da brincadeira de pegar a bolinha, que Ken explica ser algo completamente sem sentido para Hachi. "Cachorros japoneses não pegam a bolinha apenas para agradar seu dono ou ganhar um biscoito", explica Ken em um prenúncio para uma das cenas mais emocionantes do filme. Nessa hora, pode deixar o jeito machão de lado e pegar aquele lenço de papel que estava no bolso desde Marley e Eu. Acredite, você vai precisar. E se ao acender das luzes vierem te perguntar alguma coisa, despiste dizendo que você é alérgico a cachorros. Fonte: IG

domingo, 27 de dezembro de 2009

"Sherlock Holmes" supera "Avatar" nas bilheterias dos EUA

LOS ANGELES (Reuters) - O filme "Sherlock Holmes", do diretor britânico Guy Ritchie, estabeleceu um recorde de bilheteria no Dia de Natal na América do Norte, superando por pouco o campeão do ultimo fim de semana, "Avatar", de acordo com estimativas prévias divulgadas no sábado. "Sherlock Holmes", no qual Robert Downey Jr. revive o devoto detetive vitoriano como um elegante super-herói, arrecadou 24,9 milhões de dólares durante seu primeiro dia de exibição, na sexta-feira, informou a distribuidora Warner Bros. Pictures.

O recorde anterior para uma estreia no Natal ocorreu no ano passado, com "Marley & Eu" obtendo 14,4 milhões de dólares.

"Avatar" arrecadou 23,5 milhões de dólares na sexta-feira, aumentando os ganhos da custosa produção 3-D do diretor James Cameron para 160,8 milhões de dólares em oito dias, afirmou a 20th Century Fox.

A Fox também divulgou que "Alvin e os Esquilos 2" estreou na terceira posição, com 14,5 milhões de dólares. A produção, que foi a público na quarta-feira, já acumula 41,3 milhões.

Betty Thomas dirigiu a sequência da primeira animação, feita em 2007, e que arrecadou 360 milhões de dólares em todo o mundo.
Outra estreia, "Simplesmente Complicado", da diretora Nancy Meyers, vem na quarta colocação após faturar 7,1 milhões durante seu primeiro dia de exibição, na sexta-feira. A comédia da Universal Pictures tem Maryl Streep, Alec Baldwin e Steve Martin.
"Amor Sem Escalas" subiu três posições e ficou em quinto lugar em seu primeiro fim de semana de exibição nacional nos Estados Unidos, com as vendas da sexta-feira em 3,7 milhões de dólares. O filme, uma reflexão sobre o amor e a solidão nos EUA corporativo arrecadou 16,4 milhões desde sua estreia, pela Paramount Pictures, em 4 de dezembro.

A Warner Bros. é uma unidade da Warner Inc.. A 20th Century Fox é uma unidade da News Corp.. A Universal Pictures é uma unidade da General Electric Co.. A Paramount Pictures é uma unidade da Viacom Inc..

(Reportagem de Dean Doodman) LOS ANGELES (Reuters) - O filme "Sherlock Holmes", do diretor britânico Guy Ritchie, estabeleceu um recorde de bilheteria no Dia de Natal na América do Norte, superando por pouco o campeão do ultimo fim de semana, "Avatar", de acordo com estimativas prévias divulgadas no sábado. "Sherlock Holmes", no qual Robert Downey Jr. revive o devoto detetive vitoriano como um elegante super-herói, arrecadou 24,9 milhões de dólares durante seu primeiro dia de exibição, na sexta-feira, informou a distribuidora Warner Bros. Pictures.

O recorde anterior para uma estreia no Natal ocorreu no ano passado, com "Marley & Eu" obtendo 14,4 milhões de dólares.
"Avatar" arrecadou 23,5 milhões de dólares na sexta-feira, aumentando os ganhos da custosa produção 3-D do diretor James Cameron para 160,8 milhões de dólares em oito dias, afirmou a 20th Century Fox.
A Fox também divulgou que "Alvin e os Esquilos 2" estreou na terceira posição, com 14,5 milhões de dólares. A produção, que foi a público na quarta-feira, já acumula 41,3 milhões.

Betty Thomas dirigiu a sequência da primeira animação, feita em 2007, e que arrecadou 360 milhões de dólares em todo o mundo.
Outra estreia, "Simplesmente Complicado", da diretora Nancy Meyers, vem na quarta colocação após faturar 7,1 milhões durante seu primeiro dia de exibição, na sexta-feira. A comédia da Universal Pictures tem Maryl Streep, Alec Baldwin e Steve Martin.

"Amor Sem Escalas" subiu três posições e ficou em quinto lugar em seu primeiro fim de semana de exibição nacional nos Estados Unidos, com as vendas da sexta-feira em 3,7 milhões de dólares. O filme, uma reflexão sobre o amor e a solidão nos EUA corporativo arrecadou 16,4 milhões desde sua estreia, pela Paramount Pictures, em 4 de dezembro.

A Warner Bros. é uma unidade da Warner Inc.. A 20th Century Fox é uma unidade da News Corp.. A Universal Pictures é uma unidade da General Electric Co.. A Paramount Pictures é uma unidade da Viacom Inc..
(Reportagem de Dean Doodman)
Ultimo segundo.ig.





terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Próxima estréia 18 de Dezembro: CONFUSÕES EM FAMÍLIA


Toda a família tem seus segredos e a família Rizzo não fica atrás. O pai, Vince (Andy Garcia) tem um filho fora do casamento e depois de 20 anos terá que traze-lo para morar com ele. A filha, uma suposta aluna aplicada na Universidade mas, nas horas vagas vira uma stripper. Até o caçula Vinnie Jr. que aparenta ser o único "normal" da família esconde um grande fetiche... No fundo a família Rizzo é como qualquer outra - que atire a primeira pedra quem não tem segredos de família!


Próxima estréia 18 de Dezembro: A VIDA ÍNTIMA DE PIPPA LEE



Pode-se dizer que Pippa Lee (Robin Wright Penn) tem uma vida excelente. Aos 50 anos, mora em uma boa casa, é casada com um brilhante editor 30 anos mais velho e mãe orgulhosa. Até o dia em que seu marido decide que está na hora da aposentadoria e de sair de Nova York. Para embolar de vez, ele também arruma uma amante, bem mais jovem do que ela. Mas as coisas realmente fogem ao controle quando ela começa a ter reações tão diferentes das que tinha quando levava uma vida pacata. E agora, seu mundo, sua vida tranqüila, sua família, tudo o que ela ama está ameaçando ruir.

Próxima estréia 18 de Dezembro: NOVA YORK, EU TE AMO


Antologia de curtas com histórias de amor, ambientadas na cidade de Nova York.

Crítica
Angélica Bito

Nova York, Eu Te Amo faz parte do projeto concebido pelos produtores franceses Emmanuel Benbihy e Marina Grasic. A ideia é convidar vários cineastas a fim de dirigirem histórias que se passam numa cidade. Paris, Eu Te Amo (2006) foi o primeiro filme da série e o próximo, Rio, Eu Te Amo será filmado na cidade brasileira, com estreia prevista para 2011.


Os produtores propuseram aos cineastas convidados que filmassem em 24 horas, editassem em uma semana e mostrassem as características marcantes de cada local da cidade onde filmaram. Por isso, Nova York, Eu Te Amo tem muitas cenas rodadas nas particulares ruas de Nova York. Diferentemente de Paris, Eu Te Amo, que tinha segmentos bem distintos, preservando de uma forma bem clara a identidade de cada diretor, este segundo filme do projeto soa mais como um longa sobre pessoas que vivem em Nova York do que uma união de curtas-metragens, como ocorria na produção sobre a cidade francesa.

Esta decisão, de encontrar uma unidade estilística entre os segmentos, só faz com que o toque de cada diretor convidado desaparecesse. O longa todo parece ser filmado por uma pessoa, não existe identidade autoral. Outro elemento que atrapalha é a trilha sonora onipresente. Parece que, se com Paris, Eu Te Amo os produtores quiseram sublinhar a questão do cinema autoral, dando liberdade aos diretores convidados de criarem de acordo com seus estilos, em Nova York, Eu Te Amo, os produtores parecem querer fazer o contrário, não confiando na capacidade do espectador de apreciar diferentes estilos de direção; a trilha redundante sublinhando de forma óbvia os sentimentos vistos na tela só enfatiza essa impressão minha.

A variedade de nacionalidades entre os diretores convidados faz também com que a diversidade em Nova York seja refletida em Nova York, Eu Te Amo. “Todo mundo aqui veio de algum outro lugar”, observa um personagem, o que resume essa diversidade de raças e culturas existente numa cidade grande, que poderia ser Nova York ou São Paulo. Desta forma, o filme traz uma colcha de retalhos interessante sobre os diversos tipos e sotaques que habitam a cidade.

Uma curiosidade é que Nova York, Eu Te Amo traz a estreia de Natalie Portman como diretora, além de atuar num dos segmentos. A atriz Scarlett Johansson também dirigiu sua primeira obra para este projeto, mas seu segmento ficou de fora na sala de montagem. Os produtores justificaram a decisão afirmando que o curta da atriz, filmado em preto-e-branco, destoava demais do restante das obras apresentadas. Mais uma prova de que, embora sublinhe a diversidade cultural de Nova York, este filme não pretende mostrar os diferentes estilos na direção cinematográfica.

Próxima estréia 18 de dezembro: O PODER DO SOUL


Documentário com imagens de arquivo sobre o festival musical ocorrido em Kinsaha, Zaire com artistas como James Brown, Bill Whithers e Miriam Makeeba.


Próxima estréia 18 de dezembro: A TODO VOLUME

Documentário sobre a história da guitarra elétrica, a partir do ponto de vista de três lendas do instrumento: Jimmy Page, The Edge e Jack White
Crítica
Heitor Augusto
O volume pode aumentar, como indica o título original It Might Get Loud, e é melhor você nem chegar perto do documentário A Todo Volume caso o rock'n roll não esteja na sua lista de ritmos favoritos ou se curiosidade para experimentar novos ritmos não for seu forte.

É um filme feito para quem gosta de rock e consegue traçar uma linha básica evolutiva do gênero, desde o blues dos anos 20 até as derivações de hoje. Jimmy Page, Jack White e The Edge direcionam o espectador a uma viagem sobre o que é a guitarra e porque ela tem tanta alma.

Davis Guggeheim, o diretor, teve uma feliz escolha: em vez de colocar músicas em seqüência para massacrar o espectador, ele construiu o filme com muita paciência, por capítulos. A música não é apresentada como algo pronto, dado. Cada guitarrista reduz ao mínimo o seu som para mostrar a essência do que está sendo feito com o instrumento.

Jack White é o músico que busca alma e o que mais se conecta ao blues, a principal matriz do rock. Camada por camada, fica claro de onde ele tira seus agudos e a levada – sem esquecer, claro, do tributo que ele paga ao punk.


The Edge é bem mais eletrônico, tecnológico, sempre envolto em uma parafernália ao seu redor. Talvez seja o mais vidrado nas possibilidades que um amplificador traz à guitarra.

Já Jimmy Page... Bem, é Jimmy Page e não é muito necessário entrar em pormenores.


Uma das maiores felicidades do diretor foi escolher três guitarristas de gerações e locais diferentes: Page traz a busca por algo dos anos 60 e a bagagem de ter sido músico de estúdio – fato do qual ele não se orgulha. The Edge cresceu na tumultuada Dublin dos anos 70, com os confrontos do IRA. White é filho da Detroit dos anos 80, um dos lugares mais sem graça do universo.

O caminho que percorremos na trajetória dos três passa por influências, o início, o significado de estar em um palco, os diferentes tipos de guitarra, o nascimento de suas respectivas bandas e a composição das suas principais músicas.


Como quando The Edge descreve o surgimento de Sunday, Bloody Sunday, essência trazida de sua interpretação dos atentados do IRA. Ou Jimmy Page falando da maneira mais trivial possível de Stairway to Heaven - que ele carinhosamente chama apenas de Staiarway.


A Todo Volume faz questão de deixar claro todas essas diferenças, logo no começo, quando White constrói uma “guitarra” com um pedaço de madeira, uma garrafa e um arame. “Quem disse que você precisa comprar uma guitarra?”

Toda estrutura do filme leva a um clímax: a reunião dos três em um galpão para brincar com os instrumentos, experimentar e misturar gêneros. Claro que Guggenheim nos dá, aos poucos, umas pitadas do que está por vir. Mas, sempre com muita calma, sem pisar demais no pedal.


E esse é um dos principais méritos de A Todo Volume: calma e paciência para aumentar o volume e destilar o rock. Há tempo suficiente para nos aproximemos cada vez da música de cada um deles. Depois, fica a critério do espectador apontar quem é o melhor: Edge, White ou Page?


Próxima estréia 18 de Dezembro: AVATAR


No futuro, Jake Sully (Sam Worthington) é um ex-militar paraplégico que é levado a outro planeta, Pandora, habitado pelo povo Na'vi, raça humanóide com língua e cultura próprias. É nesse lugar que ele lutará pela própria sobrevivência e pela vida dessas estranhas criaturas.


Crítica
Celso SabadinA expectativa era grande. Afinal, há 12 anos James Cameron colocou seu Titanic no primeiríssimo lugar de bilheteria de todos os tempos, com um faturamento bruto de quase US$ 2 bilhões. Lugar, aliás, onde permanece até hoje. E também fazia 12 anos que Cameron não dirigia um longa para cinema. Assim, não é difícil perceber o quanto os cinéfilos estavam aguardando Avatar, a tentativa do diretor em quebrar o próprio recorde.


Será que ele conseguirá? Se eu tivesse de apostar, jogaria minhas fichas no “não”. Em primeiro lugar porque Titanic foi um destes fenômenos que ninguém explica. Mais que um filme, foi um evento, uma catarse coletiva mundial difícil de ser justificada com argumentos racionais. E em segundo lugar porque Avatar não é tão excepcional e/ou catártico como foi Titanic. É, sim, um belo entretenimento, mas sem a carga emocional suficiente para chegar ao tão sonhado patamar de US$ 2 bilhões nas bilheterias do planeta. O melhor a fazer, então, é assisti-lo sem tentar traçar comparações.

A trama é convencional: em algum lugar no futuro, os humanos estão monitorando o planeta Pandora, em cujo subsolo existe uma grande reserva de uma determinada substância muito importante para a nossa Terra. Não fica bem claro o que e por que, mas isso não é importante. Importante mesmo é que em Pandora existe toda uma civilização extremamente desenvolvida mental e energeticamente, ainda que na Idade da Pedra em se tratando de armas de guerra. São seres similares a fadas ou elfos, maiores que os Humanos, quase mágicos, e onde todos os homens têm o nariz parecido com o de Woody Harrelson e todas as mulheres têm o pescoço da Uma Thurman.


Para tentar dominá-los, nós, terráqueos, criamos a tecnologia dos Avatares, ou seja, humanos modificados com DNA do pessoal de Pandora, feitos para desembarcar no planeta deles e estudá-los mais de perto para possamos subjulgá-los da maneira mais eficiente possível. O Avatar seria, então, uma espécie de espião que se infiltra entre os aliens para conhecer seus segredos. Claro que um Humano (Sam Worthinghton) se revolta contra a situação. Como sempre acontece neste tipo de filme.

Avatar demora a engrenar. Uma quantidade muito grande de informações é arremessada sobre o público logo nos primeiros minutos, ao mesmo tempo em que boa parte da plateia tenta se acostumar aos óculos 3D, tecnologia muito boa, sim senhor, mas que rouba uma quantidade absurda de luminosidade da tela, fazendo parecer que Avatar se passa quase sempre à noite. Fica até a impressão de que as salas brasileiras não estariam utilizando lâmpadas dentro das especificações exigidas pelo sistema, tamanha é a falta de luz e brilho. Pelo menos foi esta a sensação que tive durante a sessão de imprensa realizada no Shopping Bourbon, em São Paulo.


O roteiro - também escrito por James Cameron - se utiliza muitas vezes da desagradável muleta da narração em off, na qual o protagonista fica explicando verbalmente o que está acontecendo, em vez de tentar encontrar soluções mais imagéticas e cinematográficas.


Passados os primeiros esforços - para ouvir os offs, absorver as informações e arrumar os óculos -, o filme desenvolve-se sem muito ritmo, chegando a se tornar cansativo e sinalizando que talvez não fossem necessários todos os seus 160 minutos para contar a história. No terço final, porém, tudo melhora. Os personagens ganham mais vida, mais dimensão, a ação é mais intensa e a briga entre as civilizações e as culturas literalmente pega fogo.


É impossível não traçar um paralelo entre a invasão humana predadora em Pandora e a cultura norte-americana de invadir e destruir toda e qualquer civilização que tenha algo que eles precisem. Nem vale a pena falar da finada política Bush, já que Avatar está na cabeça de James Cameron já há quase 20 anos. Mas sempre foi assim, seja com Coreia, Vietnã, Afeganistão, Iraque ou coisa que o valha. Tanto que uma das naves de guerra dos Humanos contra Pandora se chama Valquíria, provavelmente uma referência à música que o personagem de Robert Duvall escutava, enquanto chacinava vietnamitas em Apocalypse Now.


Como também é típico da cultura de entretenimento norte-americana, Avatar prioriza o visual em detrimento da profundidade. Em torno de 40% do que se vê na tela é resultante de ação filmada, e os restantes 60% foram gerados por computador, consumindo um orçamento total estimado em US$ 230 milhões. Como sempre, a trilha sonora é exagerada e incessante e a mensagem politicamente correta valoriza a natureza, a paz e a tolerância entre os povos culturalmente diferentes.
A pergunta que fica é sempre a mesma, em se tratando de blockbusters: por que os filmes que trazem mensagens de paz são tão violentos?