terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Confira 20 lançamentos do cinema que você não pode perder em 2010

Conheça os filmes mais esperados e as respectivas datas de estreia.
Ano terá 'Homem de Ferro 2', 'Tropa de elite 2' e o quarto 'Shrek'.










Carla Meneghini
Do G1, no Rio


Em 2009, Hollywood teve grandes lançamentos, como "Lua Nova", "Harry Potter e o enigma do príncipe" e "Avatar", e também viu surgirem surpresas, como "Se beber não case" e "500 dias com ela". Mas 2010 promete não ficar para trás, com um calendário de lançamentos aguardados a caminho, tais como "Homem de Ferro 2", "Alice no país das maravilhas", de Tim Burton, e "Shrek para sempre", o quarto filme da série.


'Homem de Ferro 2', 'Alice', 'Lobisomem' e 'Shrek 4' chegam aos cinemas em 2010 (Foto: Divulgação) O cinema nacional também prepara um ano cheio de novidades, que já será aberto por "Lula, o filho do Brasil", com estreia na sexta-feira (1), e ainda terá a sequência de "Tropa de elite" e a adaptação do livro de Bruna Surfistinha, protagonizada por Deborah Secco.


O G1 preparou a lista abaixo com 20 filmes que você não pode perder em 2010, organizados por data de estreia. Eleja os seus favoritos e programe-se. Lembrando que as datas previstas podem ser alteradas pelas distribuidoras.

1º de janeiro
'Lula, o filho do Brasil', de Fabio Barreto
O diretor de "O quatrilho" conta a história da infância e da juventude do presidente Lula, em uma produção com orçamento de cerca de R$ 12 milhões. Glória Pires está no elenco, no papel da mãe do protagonista.


8 de janeiro
'Sherlock Holmes', de Guy Ritchie
Robert Downey Jr. encarna o famoso detetive numa adaptação moderninha da obra de Conan Doyle. Jude Law e Rachel Adams também integram o elenco.


15 de janeiro
'Onde vivem os monstros', de Spike Jonze
O cineasta indicado ao Oscar por "Quero ser John Malkovich" faz uma ousada adaptação do clássico da literatura infantil de Maurice Sendak, que encanta gerações de crianças há cerca de quatro décadas.


22 de janeiro
'Amor sem escalas', de Jason Reitman
Estrelada por George Clooney, a comédia já inicia o ano como uma das mais esperadas, já que é líder em indicações ao Globo de Ouro, participando da disputa em seis categorias. O diretor é o mesmo de "Juno", de 2007.

'Nine', de Rob Marshall
O musical, que concorre ao Globo de Ouro em cinco categorias, reúne um elenco de beldades, com Nicole Kidman, Penelope Cruz, Kate Hudson e Marion Cotillard, sob o comando do diretor do premiado "Chicago".

29 de janeiro
'Invictus', de Clint Eastwood
Morgan Freeman encarna o líder sul-africano Nelson Mandela nesse drama baseado em fatos reais. Matt Damon também está no elenco.


5 de fevereiro
'Um olhar do paraíso', de Peter Jackson

O cineasta da série "O senhor dos anéis" retorna às telas com uma fantasia sobre uma menina que tenta se comunicar com a família depois que é brutalmente assassinada. Com Mark Wahlberg, Rachel Weisz e Susan Sarandon.


12 de fevereiro
'O lobisomem', de Mark Romanek
O terror de época traz Benicio Del Toro como um homem que se transforma em monstro depois que é atacado por lobos. A superprodução traz efeitos especiais prometem impressionar e, de quebra, a atuação do veterano Anthony Hopkins.


19 de fevereiro
'Um homem sério', de Joel e Ethan Coen
Vencedores do Oscar por "Onde os fracos não têm vez", os irmãos Coen retornam com essa comédia de humor negro ambientada nos anos 1960.


5 de março
'Ilha do medo', de Martin Scorsese
Depois do premiado "Os infiltrados", Leonardo DiCaprio volta a trabalhar com o diretor veterano nesse filme policial. Mark Ruffalo e Ben Kingsley também integram o elenco.


2 de abril
'Alice no país das maravilhas', de Tim Burton

Com projeção em 3D, a superprodução faz uma adaptação pop do clássico de Lewis Carroll, misturando atores com animação. Com Johnny Depp e Anne Hathaway.


30 de abril
'Homem de Ferro 2', de Jon Favreau
Robert Downey Jr. interpreta novamente o herói Tony Stark nessa sequência da aventura, que traz como novidade Scarlet Johansson no papel da Viúva Negra.


14 de maio
'Robin Hood', de Ridley Scott
Russell Crowe volta a trabalhar em parceria com o diretor de "O gladiador" nessa refilmagem. Cate Blanchett também está no elenco.


28 de maio
'Sex and the city 2', de Michael Patrick King
A versão cinematográfica da série ganha uma continuação. A trama, com Sarah Jessica Parker e companhia, ainda é guardada em segredo.


18 de junho
'Bruna Surfistinha - O doce veneno do escorpião', de Marcus Baldini
Deborah Secco protagoniza a história da menina de classe média que virou garota de programa, transformada em livro de sucesso.


25 de junho
'Toy Story 3', de Lee Unkrich

O estúdio Pixar retorna às suas origens ao dar sequência à série que revolucionou a história da animação e dá um passo à frente ao investir na projeção 3D.


30 de junho
'Eclipse', David Slade
Na terceira parte da saga "Crepúsculo", lobisomens e vampiros devem trabalhar juntos para expulsar um grupo de vampiros maus das redondezas. Robert Pattinson e Kirsten Stewart repetem seus papéis no romance.



9 de julho
'Shrek para sempre', de Mike Mitchell
O ogro mais famoso do cinema ganha um quarto longa-metragem, em que Shrek se vê nostálgico, com saudades dos tempos em que tinha uma vida mais simples.

13 de agosto
'Tropa de elite 2', de José Padilha
O fenômeno do cinema nacional ganha continuação, com Wagner Moura de volta ao papel de Capitão Nascimento. A trama começa 15 anos depois do final do primeiro filme e mostra o crescimento do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio (Bope) e a formação das milícias na cidade.


20 de agosto
'Os mercenários', de Sylvester Stallone
Com cenas rodadas em diversas partes do Rio, o longa-metragem de ação traz Stallone como protagonista e a atriz Giselle Itié no elenco.


AVISO: Os 20 filmes desta lista foram selecionados de acordo com suas datas de estreia. "Harry Potter e as relíquias da morte" não consta na reportagem porque a previsão para que chegue aos cinemas é apenas em novembro.


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Crítica: Sempre ao seu Lado


Drama inspirado em história real faz chorar com lealdade entre um cachorro e seu dono
23/12/2009
Marcelo Forlani
Acredito que todo mundo que vai ao cinema deve ter ouvido a frase "o cachorro morre no final", quando alguém queria fazer uma gracinha sobre o filme Marley e Eu. Bom, sem querer fazer piada, mas pensando em preparar o espírito de quem está escolhendo o que assistir já adianto que Sempre ao seu Lado (Hachiko - A Dog's Story, 2009) também vai te fazer chorar. Muito! E não é porque o cachorro morre no final. É bem antes que as primeiras lágrimas vão começar a sorrateiramente se alojar nos cantos dos olhos, para depois correr em cascata. Mas o filme também vai te fazer sorrir e refletir sobre o nosso dia-a-dia e as relações que realmente interessam.


O longa é uma adaptação de uma história real, que aconteceu no Japão no início do século. Hachiko é o nome de um cachorro da raça akita que ficou famoso em todo o país depois que apareceu em reportagens de jornais que contavam sua história de lealdade ao seu dono, um professor da Universidade de Tóquio. Todos os dias Hachiko acompanhava seu amigo até a estação de trem e estava lá quando ele voltava para casa.


A história deste cachorro virou uma lenda no Japão e foi usada em escolas e casas para ensinar às crianças a importância lealdade entre amigos. Serviu também para despertar no país uma onda de criações de akitas, raça pura japonesa que estava cada vez menos popular. Há hoje na estação de Shibuya uma estátua de Hachiko, no lugar onde ele ficava esperando seu dono voltar.


Na versão estadunidense da história, Hachiko continua sendo um akita. Ele é achado quando ainda é um filhote em uma estação na periferia de Nova York pelo professor universitário Parker Wilson (Richard Gere), que o leva para casa. No início, sua esposa (Joan Allen) se recusa a adotar o novo morador, mas é tocada pela cativante relação entre os dois.

Um personagem que faz a ponte entre as duas versões explicando um pouco da mentalidade e crenças japonesas é o também é um professor universitário Ken (Cary-Hiroyuki Tagawa). Ele explica ao amigo que talvez não tenha sido ele quem achou Hachiko, mas sim que o cão o escolheu como seu dono. É ele também que explica que "hachi" é o numeral japonês para oito, um número especial, que simboliza a ligação entre os planos terrenos e espirituais.


A direção do sueco Lasse Hällstrom (Regras da Vida, Chocolate, O Vigarista do Ano) carrega no drama, incorporando elementos tipicamente ocidentais que certamente não estiveram na versão japonesa do filme, Hachiko Monogatari, sucesso de 1987. É o caso da brincadeira de pegar a bolinha, que Ken explica ser algo completamente sem sentido para Hachi. "Cachorros japoneses não pegam a bolinha apenas para agradar seu dono ou ganhar um biscoito", explica Ken em um prenúncio para uma das cenas mais emocionantes do filme. Nessa hora, pode deixar o jeito machão de lado e pegar aquele lenço de papel que estava no bolso desde Marley e Eu. Acredite, você vai precisar. E se ao acender das luzes vierem te perguntar alguma coisa, despiste dizendo que você é alérgico a cachorros. Fonte: IG

domingo, 27 de dezembro de 2009

"Sherlock Holmes" supera "Avatar" nas bilheterias dos EUA

LOS ANGELES (Reuters) - O filme "Sherlock Holmes", do diretor britânico Guy Ritchie, estabeleceu um recorde de bilheteria no Dia de Natal na América do Norte, superando por pouco o campeão do ultimo fim de semana, "Avatar", de acordo com estimativas prévias divulgadas no sábado. "Sherlock Holmes", no qual Robert Downey Jr. revive o devoto detetive vitoriano como um elegante super-herói, arrecadou 24,9 milhões de dólares durante seu primeiro dia de exibição, na sexta-feira, informou a distribuidora Warner Bros. Pictures.

O recorde anterior para uma estreia no Natal ocorreu no ano passado, com "Marley & Eu" obtendo 14,4 milhões de dólares.

"Avatar" arrecadou 23,5 milhões de dólares na sexta-feira, aumentando os ganhos da custosa produção 3-D do diretor James Cameron para 160,8 milhões de dólares em oito dias, afirmou a 20th Century Fox.

A Fox também divulgou que "Alvin e os Esquilos 2" estreou na terceira posição, com 14,5 milhões de dólares. A produção, que foi a público na quarta-feira, já acumula 41,3 milhões.

Betty Thomas dirigiu a sequência da primeira animação, feita em 2007, e que arrecadou 360 milhões de dólares em todo o mundo.
Outra estreia, "Simplesmente Complicado", da diretora Nancy Meyers, vem na quarta colocação após faturar 7,1 milhões durante seu primeiro dia de exibição, na sexta-feira. A comédia da Universal Pictures tem Maryl Streep, Alec Baldwin e Steve Martin.
"Amor Sem Escalas" subiu três posições e ficou em quinto lugar em seu primeiro fim de semana de exibição nacional nos Estados Unidos, com as vendas da sexta-feira em 3,7 milhões de dólares. O filme, uma reflexão sobre o amor e a solidão nos EUA corporativo arrecadou 16,4 milhões desde sua estreia, pela Paramount Pictures, em 4 de dezembro.

A Warner Bros. é uma unidade da Warner Inc.. A 20th Century Fox é uma unidade da News Corp.. A Universal Pictures é uma unidade da General Electric Co.. A Paramount Pictures é uma unidade da Viacom Inc..

(Reportagem de Dean Doodman) LOS ANGELES (Reuters) - O filme "Sherlock Holmes", do diretor britânico Guy Ritchie, estabeleceu um recorde de bilheteria no Dia de Natal na América do Norte, superando por pouco o campeão do ultimo fim de semana, "Avatar", de acordo com estimativas prévias divulgadas no sábado. "Sherlock Holmes", no qual Robert Downey Jr. revive o devoto detetive vitoriano como um elegante super-herói, arrecadou 24,9 milhões de dólares durante seu primeiro dia de exibição, na sexta-feira, informou a distribuidora Warner Bros. Pictures.

O recorde anterior para uma estreia no Natal ocorreu no ano passado, com "Marley & Eu" obtendo 14,4 milhões de dólares.
"Avatar" arrecadou 23,5 milhões de dólares na sexta-feira, aumentando os ganhos da custosa produção 3-D do diretor James Cameron para 160,8 milhões de dólares em oito dias, afirmou a 20th Century Fox.
A Fox também divulgou que "Alvin e os Esquilos 2" estreou na terceira posição, com 14,5 milhões de dólares. A produção, que foi a público na quarta-feira, já acumula 41,3 milhões.

Betty Thomas dirigiu a sequência da primeira animação, feita em 2007, e que arrecadou 360 milhões de dólares em todo o mundo.
Outra estreia, "Simplesmente Complicado", da diretora Nancy Meyers, vem na quarta colocação após faturar 7,1 milhões durante seu primeiro dia de exibição, na sexta-feira. A comédia da Universal Pictures tem Maryl Streep, Alec Baldwin e Steve Martin.

"Amor Sem Escalas" subiu três posições e ficou em quinto lugar em seu primeiro fim de semana de exibição nacional nos Estados Unidos, com as vendas da sexta-feira em 3,7 milhões de dólares. O filme, uma reflexão sobre o amor e a solidão nos EUA corporativo arrecadou 16,4 milhões desde sua estreia, pela Paramount Pictures, em 4 de dezembro.

A Warner Bros. é uma unidade da Warner Inc.. A 20th Century Fox é uma unidade da News Corp.. A Universal Pictures é uma unidade da General Electric Co.. A Paramount Pictures é uma unidade da Viacom Inc..
(Reportagem de Dean Doodman)
Ultimo segundo.ig.





terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Próxima estréia 18 de Dezembro: CONFUSÕES EM FAMÍLIA


Toda a família tem seus segredos e a família Rizzo não fica atrás. O pai, Vince (Andy Garcia) tem um filho fora do casamento e depois de 20 anos terá que traze-lo para morar com ele. A filha, uma suposta aluna aplicada na Universidade mas, nas horas vagas vira uma stripper. Até o caçula Vinnie Jr. que aparenta ser o único "normal" da família esconde um grande fetiche... No fundo a família Rizzo é como qualquer outra - que atire a primeira pedra quem não tem segredos de família!


Próxima estréia 18 de Dezembro: A VIDA ÍNTIMA DE PIPPA LEE



Pode-se dizer que Pippa Lee (Robin Wright Penn) tem uma vida excelente. Aos 50 anos, mora em uma boa casa, é casada com um brilhante editor 30 anos mais velho e mãe orgulhosa. Até o dia em que seu marido decide que está na hora da aposentadoria e de sair de Nova York. Para embolar de vez, ele também arruma uma amante, bem mais jovem do que ela. Mas as coisas realmente fogem ao controle quando ela começa a ter reações tão diferentes das que tinha quando levava uma vida pacata. E agora, seu mundo, sua vida tranqüila, sua família, tudo o que ela ama está ameaçando ruir.

Próxima estréia 18 de Dezembro: NOVA YORK, EU TE AMO


Antologia de curtas com histórias de amor, ambientadas na cidade de Nova York.

Crítica
Angélica Bito

Nova York, Eu Te Amo faz parte do projeto concebido pelos produtores franceses Emmanuel Benbihy e Marina Grasic. A ideia é convidar vários cineastas a fim de dirigirem histórias que se passam numa cidade. Paris, Eu Te Amo (2006) foi o primeiro filme da série e o próximo, Rio, Eu Te Amo será filmado na cidade brasileira, com estreia prevista para 2011.


Os produtores propuseram aos cineastas convidados que filmassem em 24 horas, editassem em uma semana e mostrassem as características marcantes de cada local da cidade onde filmaram. Por isso, Nova York, Eu Te Amo tem muitas cenas rodadas nas particulares ruas de Nova York. Diferentemente de Paris, Eu Te Amo, que tinha segmentos bem distintos, preservando de uma forma bem clara a identidade de cada diretor, este segundo filme do projeto soa mais como um longa sobre pessoas que vivem em Nova York do que uma união de curtas-metragens, como ocorria na produção sobre a cidade francesa.

Esta decisão, de encontrar uma unidade estilística entre os segmentos, só faz com que o toque de cada diretor convidado desaparecesse. O longa todo parece ser filmado por uma pessoa, não existe identidade autoral. Outro elemento que atrapalha é a trilha sonora onipresente. Parece que, se com Paris, Eu Te Amo os produtores quiseram sublinhar a questão do cinema autoral, dando liberdade aos diretores convidados de criarem de acordo com seus estilos, em Nova York, Eu Te Amo, os produtores parecem querer fazer o contrário, não confiando na capacidade do espectador de apreciar diferentes estilos de direção; a trilha redundante sublinhando de forma óbvia os sentimentos vistos na tela só enfatiza essa impressão minha.

A variedade de nacionalidades entre os diretores convidados faz também com que a diversidade em Nova York seja refletida em Nova York, Eu Te Amo. “Todo mundo aqui veio de algum outro lugar”, observa um personagem, o que resume essa diversidade de raças e culturas existente numa cidade grande, que poderia ser Nova York ou São Paulo. Desta forma, o filme traz uma colcha de retalhos interessante sobre os diversos tipos e sotaques que habitam a cidade.

Uma curiosidade é que Nova York, Eu Te Amo traz a estreia de Natalie Portman como diretora, além de atuar num dos segmentos. A atriz Scarlett Johansson também dirigiu sua primeira obra para este projeto, mas seu segmento ficou de fora na sala de montagem. Os produtores justificaram a decisão afirmando que o curta da atriz, filmado em preto-e-branco, destoava demais do restante das obras apresentadas. Mais uma prova de que, embora sublinhe a diversidade cultural de Nova York, este filme não pretende mostrar os diferentes estilos na direção cinematográfica.

Próxima estréia 18 de dezembro: O PODER DO SOUL


Documentário com imagens de arquivo sobre o festival musical ocorrido em Kinsaha, Zaire com artistas como James Brown, Bill Whithers e Miriam Makeeba.


Próxima estréia 18 de dezembro: A TODO VOLUME

Documentário sobre a história da guitarra elétrica, a partir do ponto de vista de três lendas do instrumento: Jimmy Page, The Edge e Jack White
Crítica
Heitor Augusto
O volume pode aumentar, como indica o título original It Might Get Loud, e é melhor você nem chegar perto do documentário A Todo Volume caso o rock'n roll não esteja na sua lista de ritmos favoritos ou se curiosidade para experimentar novos ritmos não for seu forte.

É um filme feito para quem gosta de rock e consegue traçar uma linha básica evolutiva do gênero, desde o blues dos anos 20 até as derivações de hoje. Jimmy Page, Jack White e The Edge direcionam o espectador a uma viagem sobre o que é a guitarra e porque ela tem tanta alma.

Davis Guggeheim, o diretor, teve uma feliz escolha: em vez de colocar músicas em seqüência para massacrar o espectador, ele construiu o filme com muita paciência, por capítulos. A música não é apresentada como algo pronto, dado. Cada guitarrista reduz ao mínimo o seu som para mostrar a essência do que está sendo feito com o instrumento.

Jack White é o músico que busca alma e o que mais se conecta ao blues, a principal matriz do rock. Camada por camada, fica claro de onde ele tira seus agudos e a levada – sem esquecer, claro, do tributo que ele paga ao punk.


The Edge é bem mais eletrônico, tecnológico, sempre envolto em uma parafernália ao seu redor. Talvez seja o mais vidrado nas possibilidades que um amplificador traz à guitarra.

Já Jimmy Page... Bem, é Jimmy Page e não é muito necessário entrar em pormenores.


Uma das maiores felicidades do diretor foi escolher três guitarristas de gerações e locais diferentes: Page traz a busca por algo dos anos 60 e a bagagem de ter sido músico de estúdio – fato do qual ele não se orgulha. The Edge cresceu na tumultuada Dublin dos anos 70, com os confrontos do IRA. White é filho da Detroit dos anos 80, um dos lugares mais sem graça do universo.

O caminho que percorremos na trajetória dos três passa por influências, o início, o significado de estar em um palco, os diferentes tipos de guitarra, o nascimento de suas respectivas bandas e a composição das suas principais músicas.


Como quando The Edge descreve o surgimento de Sunday, Bloody Sunday, essência trazida de sua interpretação dos atentados do IRA. Ou Jimmy Page falando da maneira mais trivial possível de Stairway to Heaven - que ele carinhosamente chama apenas de Staiarway.


A Todo Volume faz questão de deixar claro todas essas diferenças, logo no começo, quando White constrói uma “guitarra” com um pedaço de madeira, uma garrafa e um arame. “Quem disse que você precisa comprar uma guitarra?”

Toda estrutura do filme leva a um clímax: a reunião dos três em um galpão para brincar com os instrumentos, experimentar e misturar gêneros. Claro que Guggenheim nos dá, aos poucos, umas pitadas do que está por vir. Mas, sempre com muita calma, sem pisar demais no pedal.


E esse é um dos principais méritos de A Todo Volume: calma e paciência para aumentar o volume e destilar o rock. Há tempo suficiente para nos aproximemos cada vez da música de cada um deles. Depois, fica a critério do espectador apontar quem é o melhor: Edge, White ou Page?


Próxima estréia 18 de Dezembro: AVATAR


No futuro, Jake Sully (Sam Worthington) é um ex-militar paraplégico que é levado a outro planeta, Pandora, habitado pelo povo Na'vi, raça humanóide com língua e cultura próprias. É nesse lugar que ele lutará pela própria sobrevivência e pela vida dessas estranhas criaturas.


Crítica
Celso SabadinA expectativa era grande. Afinal, há 12 anos James Cameron colocou seu Titanic no primeiríssimo lugar de bilheteria de todos os tempos, com um faturamento bruto de quase US$ 2 bilhões. Lugar, aliás, onde permanece até hoje. E também fazia 12 anos que Cameron não dirigia um longa para cinema. Assim, não é difícil perceber o quanto os cinéfilos estavam aguardando Avatar, a tentativa do diretor em quebrar o próprio recorde.


Será que ele conseguirá? Se eu tivesse de apostar, jogaria minhas fichas no “não”. Em primeiro lugar porque Titanic foi um destes fenômenos que ninguém explica. Mais que um filme, foi um evento, uma catarse coletiva mundial difícil de ser justificada com argumentos racionais. E em segundo lugar porque Avatar não é tão excepcional e/ou catártico como foi Titanic. É, sim, um belo entretenimento, mas sem a carga emocional suficiente para chegar ao tão sonhado patamar de US$ 2 bilhões nas bilheterias do planeta. O melhor a fazer, então, é assisti-lo sem tentar traçar comparações.

A trama é convencional: em algum lugar no futuro, os humanos estão monitorando o planeta Pandora, em cujo subsolo existe uma grande reserva de uma determinada substância muito importante para a nossa Terra. Não fica bem claro o que e por que, mas isso não é importante. Importante mesmo é que em Pandora existe toda uma civilização extremamente desenvolvida mental e energeticamente, ainda que na Idade da Pedra em se tratando de armas de guerra. São seres similares a fadas ou elfos, maiores que os Humanos, quase mágicos, e onde todos os homens têm o nariz parecido com o de Woody Harrelson e todas as mulheres têm o pescoço da Uma Thurman.


Para tentar dominá-los, nós, terráqueos, criamos a tecnologia dos Avatares, ou seja, humanos modificados com DNA do pessoal de Pandora, feitos para desembarcar no planeta deles e estudá-los mais de perto para possamos subjulgá-los da maneira mais eficiente possível. O Avatar seria, então, uma espécie de espião que se infiltra entre os aliens para conhecer seus segredos. Claro que um Humano (Sam Worthinghton) se revolta contra a situação. Como sempre acontece neste tipo de filme.

Avatar demora a engrenar. Uma quantidade muito grande de informações é arremessada sobre o público logo nos primeiros minutos, ao mesmo tempo em que boa parte da plateia tenta se acostumar aos óculos 3D, tecnologia muito boa, sim senhor, mas que rouba uma quantidade absurda de luminosidade da tela, fazendo parecer que Avatar se passa quase sempre à noite. Fica até a impressão de que as salas brasileiras não estariam utilizando lâmpadas dentro das especificações exigidas pelo sistema, tamanha é a falta de luz e brilho. Pelo menos foi esta a sensação que tive durante a sessão de imprensa realizada no Shopping Bourbon, em São Paulo.


O roteiro - também escrito por James Cameron - se utiliza muitas vezes da desagradável muleta da narração em off, na qual o protagonista fica explicando verbalmente o que está acontecendo, em vez de tentar encontrar soluções mais imagéticas e cinematográficas.


Passados os primeiros esforços - para ouvir os offs, absorver as informações e arrumar os óculos -, o filme desenvolve-se sem muito ritmo, chegando a se tornar cansativo e sinalizando que talvez não fossem necessários todos os seus 160 minutos para contar a história. No terço final, porém, tudo melhora. Os personagens ganham mais vida, mais dimensão, a ação é mais intensa e a briga entre as civilizações e as culturas literalmente pega fogo.


É impossível não traçar um paralelo entre a invasão humana predadora em Pandora e a cultura norte-americana de invadir e destruir toda e qualquer civilização que tenha algo que eles precisem. Nem vale a pena falar da finada política Bush, já que Avatar está na cabeça de James Cameron já há quase 20 anos. Mas sempre foi assim, seja com Coreia, Vietnã, Afeganistão, Iraque ou coisa que o valha. Tanto que uma das naves de guerra dos Humanos contra Pandora se chama Valquíria, provavelmente uma referência à música que o personagem de Robert Duvall escutava, enquanto chacinava vietnamitas em Apocalypse Now.


Como também é típico da cultura de entretenimento norte-americana, Avatar prioriza o visual em detrimento da profundidade. Em torno de 40% do que se vê na tela é resultante de ação filmada, e os restantes 60% foram gerados por computador, consumindo um orçamento total estimado em US$ 230 milhões. Como sempre, a trilha sonora é exagerada e incessante e a mensagem politicamente correta valoriza a natureza, a paz e a tolerância entre os povos culturalmente diferentes.
A pergunta que fica é sempre a mesma, em se tratando de blockbusters: por que os filmes que trazem mensagens de paz são tão violentos?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

POLÍCIA, ADJETIVO


Cristi (Dragos Bucur) é um policial incumbido de seguir três adolescentes que fumam haxixe e descobrir quem é o fornecedor da droga. Mas o que eles estão fazendo é proibido? Quem constrói a lei? Qual a função da Justiça? Policial é adjetivo?


Heitor Augusto

O romeno Corneliu Porumboiu (A Leste de Bucareste) joga mais lenha em um assunto tratado na filosofia, nas artes, nas ciências: o que é a lei? Polícia, Adjetivo volta a relembrar que ela não passa de uma construção a partir da moral.

Uma crítica ferrenha sobre o uso da Justiça, da lei e dos policiais. A primeira coisa que Porumboiu se nega a fazer é retratar o cotidiano de um policial como algo repleto de ação. Cristi (Dragus Bucur) segue diariamente três estudantes que fumam haxixe para descobrir quem é o fornecedor da droga. Sem perseguições alucinadas, músicas que criem suspense ou personagens que fazem caras e bocas. Tudo muito cru, simples, sem maquiagem.
Não se trata de mostrar a realidade no filme, mas sim de transmitir verdade na história que está sendo contada. E nisso Polícia, Adjetivo cumpre o seu papel. Um filme sobre a cultura policial, não sobre ação policial.

Se Cristi passa o dia inteiro na frente da casa de um dos garotos, o diretor faz questão de estender esse tempo para nos transmitir a sensação do quão chatas e sem sentidos foram aquelas horas de observação de seu personagem. À primeira vista, um filme cansativo, mas, se chegarmos mais perto dele, percebemos o casamento perfeito entre forma e conteúdo.

Esse clima aparentemente tedioso leva a uma sequência final poderosa, que envolve o embate do policial e seu chefe. Na mesa, estão a consciência e uma disputa interminável em cima do significado da palavra. Aí está a maior acidez da crítica: da maneira em que a lei é interpretada e executada. Processo e trabalho, não interessam. O que o chefe quer é o resultado rápido e a aplicação do que está escrito.

A lei e o sentido são construídos e dependem das flutuações do conceito de moral. Escravidão, no século 19, era “normal”; hoje, é execrada socialmente. É basicamente isso que Polícia, Adjetivo defende: o sentido, a moral e como os conceitos de condenável e defensável mudam ao longo do tempo. Parece óbvio, mas os 113 minutos de filme provam que não é bem assim. Pão não é pão, nem queijo é queijo. Cineclick UOL

terça-feira, 20 de outubro de 2009

"Bastardos Inglórios" chega perto da obra-prima


Crítica
André Setaro
De Salvador (BA)
O cinema de Quentin Tarantino é uma 'farra' de referências e de alusões cinematográficas, um cinema construído com a memória dos filmes vistos que se reprocessam na estrutura narrativa de seus filmes. O que poderia parecer, à primeira vista, uma colcha de retalhos, uma miscelânea, adquire, porém, um vigor próprio, e se conflui num estilo particular a ponto de se sentir em seus personagens um "homus tarantinianus".
"Bastardos inglórios" ("Inglourious Basterds", 2009) é, a rigor, um filme sobre cinema, uma festa para os cinéfilos, 153 minutos de ação e emoção, e as influências do autor, adquiridas na visão obsessiva de filmes e filmes, adquirem, aqui, um caráter, poder-se-ia dizer, de "fraturas expostas". Mas o que Tarantino recolhe de sua memória, de seus "recuerdos", enquanto espectador, é um material que sofre um processo de manipulação, de marchas e contramarchas, de subversão dos clichês (não apenas pela pretensão de subvertê-los, mas como um recurso de seu estilo, de sua maneira de pensar e refletir o cinema visto), uma manifestação ou, mesmo, uma declaração explícita de amor a determinados "modos" de fabulação e, mais importante, da maneira pela qual o específico cinematográfico é "posto em cena." O resultado de "Bastardos inglórios" é uma obra que revigora e que vem atestar a criatividade num momento em que a arte do filme se encontra no atoleiro da mesmice e da inexistência de inventores de fórmulas.
A apontada subversão de clichês se dá, na estrutura narrativa de "Inglorious basterds", pela frustração das expectativas convencionais. Quando o filme parece que se encontra a tomar um rumo determinado, há uma reviravolta capaz de frustrar o espectador habituado à convenção da linguagem cinematográfica e de levá-lo a ter uma surpresa. Tarantino manipula a "mise-en-scène" com um objetivo bem precípuo: o de dar ao espectador o prazer do cinema e fazer deste um exercício de liberdade criadora.

Uma subversão, por assim dizer, partida mesmo do próprio "plot". A ação, que transcorre durante a Segunda Guerra Mundial, as costumeiras vítimas dos filmes de guerra da época, os judeus, assumem, em "Inglorious basterds", a condição de vingadores brutais num processo de inversão. A Alemanha ocupa a França da liberdade, igualdade e fraternidade, e, nos seus primeiros anos, uma mulher, Shoisanna (Mélanie Laurent) testemunha a execução de sua família pelas mãos do coronel nazista Hans Landa (Christoph Waltz em interpretação impressionante). A judia sobrevivente ao massacre, no entanto, consegue escapar e foge para Paris, onde muda o seu nome e assume a identidade de uma dona de um cinema 'poeira'. Em outro lugar da Europa, o tenente Aldo Raine (Brad Pitt, outra excelente composição de personagem e mais impressionante ainda em se tratando de Pitt) prepara um grupo de soldados judeus americanos, "os bastardos", que objetiva espalhar o terror contra os alemães e eliminar os líderes do Terceiro Reich.

A influência mais notória, confirmada pelo próprio diretor, é a de Enzo G. Castellari, obscuro realizador italiano de westerns-spaghettis ("Deus criou o homem e o homem criou o colt"/"Quella sporca storia nel west", 1968, "Vou, mato e volto"/"Vado, l'ammazzo e torno", 1967, "Mate todos eles e volte só"/"Ammazzali tutti e torna solo", 1967, ", entre outros filmes de ação e 'thrillers'). E também a de Robert Aldrich, o grande Aldrich de "Os doze condenados" ("The thirty dozen", 1968). Há lampejos de Leoni, Ford, e mais, e mais.

O início de "Bastardos inglórios" dá a impressão de se estar a ver um típico 'western-spaghetti'. A primeira sequência é um primor e poucos os cineastas contemporâneos que sabem usar os diálogos com a fluidez de Tarantino. Faz lembrar aquela conversa entre Samuel L. Jackson (que em "Inglorious basterds" funciona como o narrador em voz 'off') e John Travolta, que discutem, em "Tempo de violência" ("Pulp ficction", 1994), as vicissitudes de se massagear os pés femininos minutos antes de uma matança generalizada.

Depois de "Jackie Brown", verdade seja dita, não se esparava mais nada de Quentin Tarantino, ainda que os dois "volumes" de "Kill Bill" (2003/04) sejam apreciáveis. "Bastardos inglórios", no entanto, surpreendeu incrédulos no seu cinema que se pensava perdido em meados dos anos 90. Tarantino surgiu para a arte do filme com "Cães de aluguel" ("Reservoir dogs"), em 1992, visto aqui no Brasil, pela primeira vez, na Mostra Internacional de Leon Cakoff. Inspirado no clássico "Rashomon" (1950), do mestre japonês Akira Kurosawa, que aborda a questão do "ponto de vista múltiplos", e, por eles, a reflexão sobre a verdade dos fatos, "Reservoir dogs", na sua estrutura narrativa, mostra um fato a ser recontado várias vezes por diversos personagens. O 'plot' apresenta uma quadrilha que tenta roubar diamantes, mas algo dá errado, e os sobreviventes da bárbara ofensiva policial, trancafiados num lugar, reconstituem o episodio para se chegar a uma conclusão de quem é, realmente, o culpado. A articulação da linguagem lembra a estrutura proposta por Stanley Kubrick em "O grande golpe" ("The killings", 1955). Mas a segurança e o domínio formal de Tarantino são evidentes.

Se "Reservoir dogs" fica restrito aos cinéfilos mais impertinentes (um sucesso muito mais em VHS do que em salas de cinema, onde chega a ser exibido quase escondido), "Tempo de violência" (o título que toma aqui "Pulp Fiction", 1994) é um êxito e dá início à "Tarantino mania". Palma de Ouro no Festival de Cannes e Oscar de roteiro original, "Pulp Fiction" conta uma história que se desenvolve em três partes não-cronológicas e possui momentos antológicos (como a cena da dança entre John Travolta e Uma Thurman). Além do mais, os diálogos são inteligentes e a narrativa possui frescor, envolvência, e Tarantino mostra aqui o seu imenso talento de cineasta. Um personagem, por causa da ausência da cronologia, morto numa das partes reaparece em outra, a provocar uma certa estupefação naqueles mais conformistas com a tradição do discurso cinematográfico.
O fato é que "Bastardos inglórios" restitui ao espectador o prazer do cinema, um prazer cada vez mais raro no lixo audiovisual contemporâneo. E, copiando Jean-Luc Godard, quando escreveu no Cahiers du Cinema que "o cinema é Nicholas Ray", digo aqui e agora: "O cinema é Quentin Tarantino".
André Setaro é crítico de cinema e professor de comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Fonte: http://terramagazine.terra.com.br


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

PRÓXIMA ESTRÉIA 23 DE OUTUBRO: VIGARISTAS


Os irmãos Bloom (Adrien Brody e Mark Ruffalo) aperfeiçoaram suas vigarices através de anos de fraterno trabalho em equipe. Agora eles decidiram assumir um último e espetacular golpe: atrair uma bela e excêntrica herdeira e elaborar um esquema para levá-la em uma viagem ao redor do mundo.


Crítica
Celso Sabadin


Filmes sobre golpes simpáticos e divertidos aplicados por golpistas simpáticos e divertidos costumam ser bastante… Simpáticos e divertidos. Golpe de Mestre e Onze Homens e um Segredo são dois exemplos bem marcantes deste - digamos - subgênero. A boa notícia é que Vigaristas (título nacional que batiza The Brothers Bloom) vai muito além do simpático, e muito, muito além do divertido. Trata-se de uma verdadeira preciosidade.


Os irmãos do título original são Stephen (Mark Ruffallo) e Bloom (Adrien Brody, de O Pianista). Órfãos, desde crianças eles são expulsos das famílias que tentam adotá-los por estarem sempre aplicando desfalques em seus padrastos. O inteligente Stephen é quem arquiteta as ideias e cria os planos. E o sensível Bloom é um excelente executor. Porém, quando chega à idade adulta, Bloom entra em crise existencial. Ele percebe que não é ninguém e que, durante toda a vida apenas, desempenhou os papéis escritos por seu irmão. Melancolicamente, ele precisa ir em busca do próprio destino. Stephen, porém, não quer que a dupla se desfaça e propõe ao irmão um último e grande golpe: desfalcar Penelope (Rachel Weisz, de O Jardineiro Fiel), uma excêntrica milionária.

A partir daí, o ótimo roteiro e a empolgante direção de Rian Johnson desenvolvem um delicioso jogo ilusório ao redor do mundo, onde nada é o que parece, e onde as maiores certezas se desvanecem num segundo. Uma brincadeira de perde e ganha? Muito mais que isso, pois os personagens de Vigaristas têm nuances, inteligência, profundidade e humanismo.


É tocante a interpretação de Brody como o homem que percebe ter sido um títere durante toda a vida. Um executor sem vontade própria, um manipulado que imaginava ser o manipulador. É riquíssima a personagem Penelope, a mulher que sabe tudo, tem tudo, mas nunca vivenciou nada, sendo escrava de seus livros e vítima de uma piada de mau gosto. Bloom tem sede de individualidade. Penelope tem sede de viver. Cada um ao seu jeito, ambos precisam recuperar os tempos perdidos de suas vidas. E em meio a eles está Stephen, um homem que… Bem, como já foi dito, nada neste filme é o que parece.


Não bastassem as riquezas dos personagens, a fina ironia dos diálogos, o sarcasmo das situações e as belíssimas locações (Sérvia, Romênia, Montenegro e República Checa), ainda por cima o filme tem uma direção genial repleta de planos criativos (e significativos), ótimo ritmo, interpretações carismáticas e um eficiente trabalho de som. A direção de arte não estabelece períodos. Mistura o novo com o antigo, o clássico com o moderno, e cria assim um visual de conto de fadas, amparado ainda mais pela beleza da cidade de Praga.

Criativo, inteligente e sensível, o filme foi lançado em pouquíssimas salas nos cinemas dos EUA, onde naufragou na bilheterias. Cineclick UOL.

PRÓXIMA ESTRÉIA 23 DE OUTUBRO: SUBSTITUTOS


Num futuro no qual os homens vivem isolados e se comunicam por meio de robôs, dois agentes do FBI, Greer (Bruce Willis) e Peters (Radha Mitchell), investigam o assassinato misterioso de um estudante.
O crime está ligado ao homem que ajudou a criar os Surrogates, cópias robóticas de seres humanos. Cineclick UOL.

PRÓXIMA ESTRÉIA 23 DE OUTUBRO: NO MEU LUGAR


A partir da intervenção de um policial num assalto com refém, em uma casa de classe média, afeta profundamente as vidas de três famílias cariocas.

Comentário do espectador
fernando - 16/07/2009 12:12

uma das melhores coisas que ja vi, o filme não se entrega em nenhum momento, o povo precisa assistir e aprender a avaliar filmes, temos muitos filmes comercias, precisamos deixar nossa gente mais culta de cinema e esse filme é um grande exemplo disso! parabens a produção deste.
Fernando cunha

PRÓXIMA ESTRÉIA 23 DE OUTUBRO: GAROTA INFERNAL


Jennifer Check (Megan Fox) é uma líder de torcida, extremamente popular entre os garotos do colégio, que é possída por um demônio e passa a atacá-los.
Sua melhor amiga, Needy Lesnicky (Amanda Seyfried), então, tenta ajudar os jovens a escaparem da assassina.

PRÓXIMA ESTRÉIA 23 DE OUTUBRO: A TRILHA


Cydney (Milla Jovovich) e Cliff (Steve Zahn) formam um casal aventureiro que resolve comemorar a lua-de-mel fazendo trilhas pelas mais belas e remotas praias do Havaí.
Caminhando nas selvagens e isoladas trilhas eles acreditam ter encontrado o paraíso.
Entretanto, quando se deparam com um assustado grupo de turistas que informa sobre o assassinato de um casal em outra ilha eles passam a discutir um possível retorno para casa.


PRÓXIMA ESTRÉIA 23 DE OUTUBRO: BONS COSTUMES



John Whittaker (Ben Barnes) é um jovem aristocrata inglês que conhece a bela americana Larita Huntington (Jessica Biel), durante uma viagem ao sul da França. Apaixonado, o rapaz acaba se casando com ela, por impulso. Ao levá-la para conhecer sua família, John dá início a uma série de confrontos, principalmente entre sua mãe e sua amada.


Crítica
Sérgio Alpendre

O diretor australiano Stephan Elliott (Priscilla - A Rainha do Deserto) conta que na adolescência era fã de Steven Spielberg; somente depois descobriu Alfred Hitchcock, influência confessa do diretor de E.T.. Apesar de achar o Bons Costumes original um Hitchcock menor, realizado por um artista com visão do mundo ainda em formação, revelou que o diretor de Psicose teve, sim, mas por outros motivos, uma influência enorme em Bons Costumes, seu mais recente trabalho, e, disparado, o melhor de sua carreira.
Bons Costumes não é nenhuma maravilha, e chega a ser óbvio em alguns momentos. Mas é bem simpático e, de longe, o ápice da obra deste diretor, que já fez o boboca Priscilla - A Rainha do Deserto e o constrangedor Bem-vindo a Woop Woop. A história gira em torno de um casamento precipitado entre uma americana (Jessica Biel, de Eu os Declaro Marido e... Larry) e um inglês (Ben Barnes, de As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian), após a Primeira Guerra Mundial. Quando ele vai apresentar a noiva, com planos de morar com ela na imensa mansão que a família possui no subúrbio londrino, a reação da matriarca interpretada brilhantemente por Kristin Scott-Thomas (Há Tanto Tempo que Te Amo) é a mais incômoda possível. Indiferença em alguns momentos, desprezo em outos, mas, acima de tudo, uma enorme diferença separa nora de sogra: o contraste entre duas culturas diferentes: a americana e a inglesa.
O filme, baseado em famosa peça de Noel Coward, segue todo em clima de comédia leve, até que acontece um fato inusitado e drástico, mas também muito engraçado. Aí vira, por alguns minutos, uma comédia nervosa, com vários momentos hilários, mas que provocam um riso tenso, pois, afinal, pode haver implicações terríveis para a heroína, com a qual o espectador, a esta altura, já estará completamente identificado.
Com inegável charme e rapidez nas gags, além de uma direção surpreendentemente estilosa, que lembra alguns momentos de Rainer Werner Fassbinder (O Casamento de Maria Braun) e Ingmar Bergman (Morangos Silvestres), Bons Costumes é visto com muito prazer, ainda que falte ao diretor Elliott um domínio maior da dramaturgia, o que, a julgar pelo incrível progresso em sua carreira, ele pode conseguir a curto prazo.Cineclick UOL.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PRÓXIMA ESTRÉIA 16 DE OUTUBRO: TE AMAREI PARA SEMPRE


Henry DeTamble (Eric Bana) sofre de uma rara modificação genética, que o faz viajar pelo tempo involuntariamente.

Numa de suas viagens, ele conhece a pequena Clare (Rachel McAdams), que se apaixona por ele imediatamente. Ano após ano, ela espera sempre no mesmo lugar que este estranho viajante retorne.

Até que os dois, finalmente, se encontram e a paixão começa. Porém, o curso da vida de Clare é normal e, quando ela menos espera, seu grande amor desaparece, sem data para retornar. Como poderia um romance suportar a estas indas e vindas? Cineclick UOL.


Crítica
Angélica Bito
Te Amarei Para Sempre é a versão cinematográfica do romance A Mulher Do Viajante No Tempo, de Audrey Niffenegger. Títulos bem diferentes entre si, no caso. Resta dizer que a história tem muito mais a ver, claro, com o título da obra original do que com o que o filme recebeu no mercado brasileiro, mais uma tática publicitária para levar ao cinema espectadores que querem um romance daqueles bem açucarados, sobre amores que resistem ao tempo. Mas não recebem.

A tal da mulher do viajante do tempo é Clare (Rachel McAdams), uma estudante de artes que desde pequena sabe que vai casar com Henry (Eric Bana). Aliás, não é segredo nenhum que eles acabam tendo um relacionamento, mas há um aspecto bem peculiar que coloca sérios obstáculos nesse amor – afinal, histórias de amor sem conflitos não são interessantes, pelo menos para o cinema -: ele viaja no tempo espontaneamente. Não é como o personagem de A Máquina do Tempo, clássico romance de H.G. Wells, que desenvolve uma máquina para viajar no tempo; Henry tem o costume de desaparecer de repente, deixando somente suas roupas, para reaparecer em locais com os quais tem certa afinidade. Nu. É mais ou menos como O Efeito Borboleta, mas sem o suspense nem as “mandingas” para concretizar a viagem. Na realidade, Te Amarei Para Sempre trata essa anomalia genética do protagonista de uma forma bastante natural. E isso é o que mais incomoda no filme.


Sua abordagem não chega a ser focada no suspense que as viagens ao tempo do protagonista podem ocasionar, mas sim no romance entre ele e Clare, que passa sua vida nutrindo esse amor por Henry, superando qualquer tipo de carência ou ausência ocasionada pelas questões do amado. O filme, dirigido por Robert Schwentke (Plano de Vôo), já começa confuso. Nessa tentativa de desenvolver um romance de narrativa pouco convencional, com saltos para o futuro, passado e presente, o roteiro de Bruce Joel Rubin (Impacto Profundo) não faz muito além de confundir o espectador, que acaba ficando mais preocupado em tentar entender a história do que compreender esse amor tão impossível entre os protagonistas.


É um romance fadado ao fracasso, o que já afasta o espectador de se envolver com o longa. Nada contra amores impossíveis: filmes como Titanic e King Kong, por exemplo, estão aí para provar que esse argumento não é empecilho para bons romances. O problema existe quando a trama é incapaz de envolver o espectador e é este o caso de Te Amarei Para Sempre, não somente por causa do roteiro, mas também pela falta de química entre os protagonistas.


Aliás, curiosa a escolha musical no casamento do casal, que dança em plena festa embalado pela nada esperançosa Love Will Tear Us Apart, originalmente gravada pelo Joy Division e, no filme, interpretada pela excelente banda canadense Broken Social Scene. É um aviso: um amor fadado às decepções. Pelo menos dá para pensar que nenhum relacionamento é pior do que amar um homem que viaja no tempo sem aviso prévio.

PRÓXIMA ESTRÉIA 16 DE OUTUBRO: DISTRITO 9


Em um mundo fictício, extraterrestes tornam-se refugiados na África do Sul, onde ficam segregados dos humanos em uma área chamada Distrito 9. Após quase 30 anos, porém, as autoridades decidem mudá-los de local, o que gera conflitos.


Crítica
Angélica Bito

Quando o sul-africano Neill Blomkamp se desligou do projeto de dirigir a adaptação cinematográfica do videogame Halo - que ainda existe, previsto para 2012 -, o cineasta e produtor Peter Jackson [a mente por trás de O Senhor dos Anéis] ofereceu US$ 30 milhões para Blomkamp fazer o que quisesse. O que seria o sonho de qualquer cineasta início de carreira [este é o primeiro longa de Blomkamp] nada mais era do que sexto sentido cinematográfico do experiente Jackson. O resultado é Distrito 9, um dos mais novos fenômenos de bilheteria dos EUA, onde faturou US$ 114 milhões. Isso porque dificilmente um filme com indicação R [indicado para maiores de 17 anos] atinge um grande faturamento nos cinemas, como é o caso.

Surpreendentemente parada sobre Johannesburgo – e não em Washington ou Nova York, como outras ficções científicas -, uma gigantesca nave espacial despeja milhares de seres extraterrestres na maior cidade da África do Sul e permanece vinte anos pairando sobre o Distrito 9, como ficou conhecida a área onde os aliens permanecem isolados, em meio a impossibilidade de voltar para casa. Os humanos passam duas décadas sem saber o que fazer com os novos habitantes da cidade que, com o tempo, constroem barracos – como as favelas que tão bem conhecemos – e partem para a marginalidade, roubando tênis e celulares dos humanos – verdadeiros trombadinhas num apartheid intergaláctico. Até que a Agência MultiNacional Unida, criada para “cuidar” desses alienígenas, tem a “brilhante” ideia de realocá-los, construindo tendas a mais de 100 quilômetros de Johannesburgo para isolar mais ainda os visitantes intergalácticos. A situação, que já se encontrava à beira do caos, torna-se incontrolável quando o improvável líder do processo de locomoção, o atrapalhado Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley), sofre um acidente.
 
A premissa de Distrito 9 é baseada no curta-metragem Alive in Joburg (2005), escrito e dirigido por Blomkamp. Foi nesse trabalho que o diretor trabalhou pela primeira vez com Copley, que nem tinha intenções de seguir como ator, mas agradou tanto como o protagonista desta ficção científica que ele será o capitão Murdock da adaptação cinematográfica de Esquadrão Classe A. E nenhum lugar melhor do que a cidade sul-africana – que, até 1994, separava e isolava os negros nos Soweto, bairro de periferia que abriga as favelas da cidade – para ambientar este longa, que ultrapassa as barreiras do gênero “filme de extraterrestres”.

O começo de Distrito 9 é conduzido de maneira documental, com depoimentos e todos os elementos do gênero. O espectador demora a saber o que está acontecendo. E é assim, aos poucos, que Blomkamp conquista a atenção de seu público, criando um clima de tensão que chega a ser palpável. Os alienígenas, apelidados de “camarões”, têm uma aparência que lembra um inseto. Não à toa, em dado momento o filme dialoga com A Mosca, clássico do terror dirigido por David Cronenberg em 1986. São assustadores e completamente convincentes, especialmente pela forma documental como são mostrados. Distrito 9 é tão feliz ao misturar elementos reais aos ficcionais que a tensão é inevitável. As criaturas são convincentes pelo excelente trabalho em CGI do longa não somente na criação visual dos extraterrestres, mas na forma como eles são inseridos na realidade de Johhanesbugo, interagindo com seres humanos.

O filme extrapola seu gênero por construir a tensão social espelhada no real clima de intolerância que tomou conta de Johannesburgo durante o apartheid. O clima, aliás, é provocado não somente pela segregação racial, mas principalmente pela desigualdade social. Mesmo sendo seres de outro planeta, os alienígenas acabam sendo corrompidos pela precária sobrevivência que conseguem levar no Distrito 9, não somente isolados, mas também reprimidos por uma violenta gangue de imigrantes nigerianos que dominam o local, não bastando o fato de estarem impossibilitados de voltar para casa. Assim, não é o fim do apartheid - ou a presença dele em dado momento histórico – que define o tipo de ambiente criado pela presença dos alienígenas na cidade. É, portanto, uma ficção com fortes raízes na realidade, o que o torna único em seu gênero.

Combinando uma boa dose de ironia, drama, excelentes efeitos especiais e um protagonista forte, Distrito 9 faz o quase impossível: tornar acreditável uma ficção científica. Cineclick UOL.


PRÓXIMA ESTRÉIA 16 DE OUTUBRO: NOVIDADES NO AMOR


Após um divórcio agitado, Sandy (Catherine Zeta-Jones) uma bela quarentona com dois filhos, resolve recomeçar a vida em Nova York.

Entre o novo trabalho, as crianças e a academia, Sandy não tem tempo para nada.

Quando contrata, Aram (Justin Bartha) um rapaz de 24 anos para ser “o” babá das crianças, sua vida dá outra reviravolta.


Crítica
Celso Sabadin



Tudo é uma questão de expectativa. Quem acreditar na propaganda de Novidades no Amor, e for assistir ao filme achando que realmente ele é uma comédia romântica, pode se decepcionar. Porém, quem for vê-lo sabendo que se trata de um romance - efetivamente com poucas cenas cômicas - talvez possa até curtir.


A questão é que o rótulo “comédia romântica” sempre dá muito Ibope e as distribuidoras preferem rotular os filmes desta maneira, mesmo não sendo o caso.



A história é sobre a bela quarentona Sandy (Catherine Zeta-Jones), uma daquelas mulheres perfeitas que criam uma família perfeita num perfeito subúrbio nova-iorquino. Antes mesmo dos créditos iniciais do filme terminarem, ela descobre uma traição do marido que - sem maiores delongas - deságua em divórcio e com Sandy e seus dois filhos indo morar no centro de Nova York. Neste particular, o filme não enrola e vai direto ao assunto: a reconstrução da vida da protagonista, agora tendo de arrumar um emprego e uma babá para suas crianças. É aí que entra a simpática figura de Aram (Justin Bartha, o noivo de Se Beber, Não Case): ele será “o” babá. E, claro, vai se apaixonar por Sandy e vice-versa.



Um dos problemas é que o rapaz é 15 anos mais novo que a mulher. Outro problema é que este tema da diferença de idades já foi tratado de forma muito mais divertida e interessante em Nunca é Tarde para Amar (2007), com Michelle Pfeiffer. E, sem este assunto, o roteiro fica meio perdido. Aliás, “irregular” seria o melhor adjetivo para classificar Novidades no Amor. Às vezes, tenta ser engraçado (não consegue); em outros momentos procura o drama; em determinadas cenas, flerta com os temas familiares (ponto em que se sai um pouco melhor); perde o ritmo na segunda metade e tem um desfecho pouco empolgante. São no mínimo estranhas as locações - certamente caríssimas - em Istambul e Paris para serem aproveitadas por pouquíssimos segundos dentro do filme.

Porém, é um entretenimento romântico, digno e, à exceção da cena do banheiro público (você vai identificar facilmente), não ofende a inteligência do espectador. Cineclick UOL.

PRÓXIMA ESTRÉIA 16 DE OUTUBRO: ARRANCA-ME A VIDA


Catalina Guzmán (Ana Claudia Talancón) busca a liberdade no ambiente machista do México, em 1930.

Ela encontra em Andres Ascencio (Daniel Giménez Cacho), homem simpático e poderoso, um meio de sair de seu mundo limitado.

Porém, rapidamente, descobre que, ao ligar sua vida a dele, está perdendo sua tão sonhada liberdade e acaba se apaixonando por outro homem da mesma roda de amigos de seu marido, arriscando sua vida por este amor.