quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PRÓXIMA ESTRÉIA 16 DE OUTUBRO: TE AMAREI PARA SEMPRE


Henry DeTamble (Eric Bana) sofre de uma rara modificação genética, que o faz viajar pelo tempo involuntariamente.

Numa de suas viagens, ele conhece a pequena Clare (Rachel McAdams), que se apaixona por ele imediatamente. Ano após ano, ela espera sempre no mesmo lugar que este estranho viajante retorne.

Até que os dois, finalmente, se encontram e a paixão começa. Porém, o curso da vida de Clare é normal e, quando ela menos espera, seu grande amor desaparece, sem data para retornar. Como poderia um romance suportar a estas indas e vindas? Cineclick UOL.


Crítica
Angélica Bito
Te Amarei Para Sempre é a versão cinematográfica do romance A Mulher Do Viajante No Tempo, de Audrey Niffenegger. Títulos bem diferentes entre si, no caso. Resta dizer que a história tem muito mais a ver, claro, com o título da obra original do que com o que o filme recebeu no mercado brasileiro, mais uma tática publicitária para levar ao cinema espectadores que querem um romance daqueles bem açucarados, sobre amores que resistem ao tempo. Mas não recebem.

A tal da mulher do viajante do tempo é Clare (Rachel McAdams), uma estudante de artes que desde pequena sabe que vai casar com Henry (Eric Bana). Aliás, não é segredo nenhum que eles acabam tendo um relacionamento, mas há um aspecto bem peculiar que coloca sérios obstáculos nesse amor – afinal, histórias de amor sem conflitos não são interessantes, pelo menos para o cinema -: ele viaja no tempo espontaneamente. Não é como o personagem de A Máquina do Tempo, clássico romance de H.G. Wells, que desenvolve uma máquina para viajar no tempo; Henry tem o costume de desaparecer de repente, deixando somente suas roupas, para reaparecer em locais com os quais tem certa afinidade. Nu. É mais ou menos como O Efeito Borboleta, mas sem o suspense nem as “mandingas” para concretizar a viagem. Na realidade, Te Amarei Para Sempre trata essa anomalia genética do protagonista de uma forma bastante natural. E isso é o que mais incomoda no filme.


Sua abordagem não chega a ser focada no suspense que as viagens ao tempo do protagonista podem ocasionar, mas sim no romance entre ele e Clare, que passa sua vida nutrindo esse amor por Henry, superando qualquer tipo de carência ou ausência ocasionada pelas questões do amado. O filme, dirigido por Robert Schwentke (Plano de Vôo), já começa confuso. Nessa tentativa de desenvolver um romance de narrativa pouco convencional, com saltos para o futuro, passado e presente, o roteiro de Bruce Joel Rubin (Impacto Profundo) não faz muito além de confundir o espectador, que acaba ficando mais preocupado em tentar entender a história do que compreender esse amor tão impossível entre os protagonistas.


É um romance fadado ao fracasso, o que já afasta o espectador de se envolver com o longa. Nada contra amores impossíveis: filmes como Titanic e King Kong, por exemplo, estão aí para provar que esse argumento não é empecilho para bons romances. O problema existe quando a trama é incapaz de envolver o espectador e é este o caso de Te Amarei Para Sempre, não somente por causa do roteiro, mas também pela falta de química entre os protagonistas.


Aliás, curiosa a escolha musical no casamento do casal, que dança em plena festa embalado pela nada esperançosa Love Will Tear Us Apart, originalmente gravada pelo Joy Division e, no filme, interpretada pela excelente banda canadense Broken Social Scene. É um aviso: um amor fadado às decepções. Pelo menos dá para pensar que nenhum relacionamento é pior do que amar um homem que viaja no tempo sem aviso prévio.

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