quarta-feira, 2 de setembro de 2009

"O nome dela é Sabine"

"O nome dela é Sabine" faz retrato delicado e comovente do autismo
Alysson Oliveira
Especial para o UOL, do Cineweb

Sandrine Bonnaire é uma conhecida atriz francesa, cuja filmografia inclui obras como os premiados "Sob o Sol de Satã", de Maurice Pialat, e "Os Rejeitados", de Agnès Varda. Mas pouca gente sabe que ela possui uma irmã autista, cuja deficiência levou anos para ser diagnosticada, o que só piorou a condição da moça.
"O nome dela é Sabine", documentário que estreou é uma crônica familiar de mais de duas décadas sobre a convivência com essa irmã.

Combinando vídeos familiares com imagens recentes feitas por Sandrine, acompanhamos 25 anos na vida das duas irmãs. No passado, Sabine era uma bela moça, livre, com muitos sonhos e planos. Essa imagem é entrecortada pela Sabine do presente, obesa, depressiva, internada numa clínica de tratamento e dada a surtos de abuso e violência.
No passado, as duas irmãs viajaram para Nova York, um sonho de Sabine; hoje, a moça revê imagens daqueles dias, chora e explica que as lágrimas são de alegria. Nesse intervalo de anos, Sabine passou por diversos tratamentos e levou muito tempo para ser diagnosticada corretamente. Em certos momentos, Sandrine, narrando em off, parece fazer um mea culpa familiar, o que levanta uma questão de quão diferente seria a moça se tivesse passados por tratamentos diferentes daqueles que recebeu nos hospitais psiquiátricos.
Privilegiando um lado mais humanista, "O Nome dela é Sabine" é comovente e delicado, sem deixar de lado aspectos informativos. Atualmente, a irmã de Sandrine está numa clínica, recebendo tratamento mais adequado. Além de fazer exercícios físicos regularmente, jardinagem e participar de uma vida em sociedade, os pacientes são estimulados a interagir.

Não deixa de ser curioso que, ao longo de mais de duas décadas, Sandrine filmou essa irmã, um ano mais nova do que ela. É como se ela já esperasse um declínio e soubesse que Sabine jamais seria a mesma. Sandrine é resistente a aparecer diante de sua própria câmera e só o faz quando isso se torna inevitável. Nesse momento, o lado documentarista sai de cena para dar espaço para a irmã. Sabine é extremamente dependente - não apenas fisica, mas também emocionalmente. Não são poucas as vezes em que ela repete a mesma insegurança, perguntando se a irmã irá visitá-la no dia seguinte. E Sandrine, sempre dedicada, responde que sim.
Atualmente, fica claro que Sabine está progredindo e se tornou menos agressiva, mas um pouco mais dependente e carente. A imagem da menina de espírito livre que pula na água estará eternizada no granulado dos filmes de família. A imagem do presente ainda é melancólica, mas "O nome dela é Sabine" deixa uma pontinha de esperança para o futuro.

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