segunda-feira, 28 de setembro de 2009

PRÓXIMA ESTRÉIA 02 DE OUTUBRO: SALVE GERAL

A professora de piano Lúcia (Andréa Beltrão), uma mulher simples de classe média, passa por dificuldades financeiras e tem uma missão: tirar o filho adolescente Rafael (Lee Thalor) da cadeia.
Enquanto isso, a crise entre prisioneiros e o sistema carcerário se agrava, e o Comando Vermelho envia seu código: Salve Geral.
E São Paulo vira um inferno.
Crítica
Angélica Bito
Depois de abordar o drama real de uma mãe em desespero, lutando pela vida do filho em Zuzu Angel, o cineasta Sérgio Rezende volta a trabalhar sobre esse tipo de drama em seu novo longa, Salve Geral, escolhido como o representante brasileiro junto à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, tendo a possibilidade de concorrer ao Oscar em 2010.
Além de ambos os trabalhos serem histórias de mulheres em luta – a primeira, baseada em fatos reais, diferentemente desta -, estão contextualizados em marcantes passagens da história brasileira recente.
Acho que todas as pessoas em idade adulta que moravam em São Paulo em 2006 sabem responder à seguinte pergunta: o que você fez quando o Primeiro Comando da Capital (PCC) parou a cidade? Mesmo quem não vivia em São Paulo se lembra que, na segunda-feira seguinte ao Dia das Mães de 2006, os cidadãos se recolheram às suas casas, temendo os ataques a ônibus, ameaças de bombas em metrôs, tiros em delegacias contra policiais e outros levantes violentos causados pelos presos que, sob o comando dos líderes do PCC, literalmente “tocaram o terror” na cidade.
É nesse episódio que culmina a ação em Salve Geral, que tem início um ano antes. Lucia (Andrea Beltrão) é uma professora de piano que encara a crise financeira familiar. Por isso, tem de abandonar seu apartamento no Centro de São Paulo por conta dos problemas financeiros, mudando com seu filho Rafa (o estreante Lee Thalor, uma revelação) a um bairro de periferia na capital.
As coisas já não estão bem, mas pioram quando o menino é preso por conta de um racha, seguido de homicídio culposo. É quando Lucia sofre a maior reviravolta de sua vida. Conhecer a advogada Ruiva (Denise Weinberg) leva a professora a se envolver com as atividades do PCC às vésperas do “salve geral” (como foi chamado o comando que deu início aos ataques em São Paulo).
Tudo numa forma de tentar aliviar a pressão do filho dentro da prisão.
Salve Geral é um complexo drama, construído em diferentes camadas. Na primeira, temos o drama da mãe, que faz de tudo para seguir protegendo o filho, mesmo quando ele é preso.
Também temos a abordagem da relação do PCC com os presos e como o Comando dita as regras dentro das penitenciárias, seguindo suas próprias leis e éticas morais. Por outro lado, sugere que o grupo criminoso negociou o fim dos ataques com o governo, bem como indica que autoridades policiais não são das mais honestas, o que não é lá grande novidade, mas pode ser ponto de polêmica.
Embora tenha uma trama desenvolvida em diversos níveis, é pela personagem de Andrea Beltrão que Salve Geral é conduzido. O fato do longa ser desenvolvido em diversas tramas paralelas não chega a atrapalhar o entendimento do espectador por conta da forma como o roteiro é bem resolvido nesta abordagem, que nem sempre é fácil.
Aliás, vale reforçar a excelente atuação de Andrea, que, embora seja mais vista em papéis cômicos, costuma mostra atuações inspiradas também em dramas – como é o caso do recente Verônica, além desta. Com este filme, Rezende é capaz abordar o assunto com contundência e consegue atuações memoráveis do elenco, mais acertando do que tropeçando em seu 12º longa-metragem. Cineclik UOL

Nenhum comentário: