quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Em Cartaz no Festival do Rio: TYSON

Quando entro no ringue, sou um Deus’, diz Mike Tyson em documentário
Filme está em cartaz no Festival do Rio, nesta quinta-feira (8).
Boxeador reconta sua história, da infância pobre ao sucesso mundial.
Débora Miranda
Do G1, no Rio

Um dos maiores boxeadores de todos os tempos, com uma carreira marcada por sucesso, fortuna, escândalos, dramas e decadência. “Tyson”, documentário de James Toback em cartaz no Festival do Rio, dá voz ao próprio lutador numa tentativa de recontar –e talvez explicar– a trajetória tão vencedora quanto controversa de Mike Tyson.

“Quando entro no ringue, sou um Deus. Ninguém pode me vencer”, diz a certa altura, no filme que mistura depoimentos atuais e rico material de arquivo, inclusive com cenas de lutas célebres e gravações familiares, o que proporciona um recorte amplo da conturbada vida de Tyson. Mas não espere ouvir versões do mesmo fato. “Tyson” abre espaço para que o boxeador conte apenas sua própria verdade, com a perturbação de quem enfrentou o vício e até a cadeia, mas a serenidade de quem teve bastante tempo para amadurecer.

As pessoas podem me julgar, mas não entendem a minha mente”, afirma, sem receio, diante da câmera de Toback. E é justamente com essa finalidade que o cineasta embarca numa viagem inicialmente à infância de Tyson, quando ele vivia no Brooklyn, em Nova York, com uma vizinhança barra pesada, e não passava de um menino gordinho que vez ou outra era sacaneado na rua. No início da adolescência se envolveu em roubos, e chegou a ser detido em uma instituição para menores.
 
Foi lá que conheceu o boxe. Ao sair, com 13 anos, conheceu Cus D’Amato, que não apenas passou a treiná-lo, como o acolheu em sua casa, o criou como filho e ensinou-lhe valores que considerava importantes. Entre eles, que Muhammad Ali era o maior boxeador de todos os tempos não apenas por seu talento, mas também por seu caráter.


A perda do mentor foi apenas um dos ingredientes no caos imenso em que se transformou a vida de Tyson assim que ele começou a ganhar tudo, nocautear todos e ganhar rios de dinheiro, no fim dos anos 80. Ele vivia o auge dentro dos ringues, e vivia perigosamente fora dele. Viajou o mundo, conheceu personalidade e se sagrou campeão mundial.


Aos 21, se apaixonou e um mês depois casou-se com sua primeira esposa, Robin Gives, com quem teve uma relação tão breve quanto tumultuada. A essa altura, o lutador já vivia uma rotina de promiscuidade, brigas e acidente de carro. Após o divórcio, desmotivado e com sua vida particular exposta, foi nocauteado por Buster Douglas.



Cena do documentário ''Tyson'', em cartaz no Festival do Rio (Foto: Divulgação)
Os depoimentos de Tyson com relação ao boxe são sempre emotivos e apaixonados. Ele conta que costumava, toda noite, assistir a lutas antigas para aprender os movimentos dos grandes. Revela, ainda, que seus maiores ídolos não eram pesos pesados, pois apreciava a velocidade dos mais leves. “ Eu sabia que eu tinha a agilidade e a força”, confessa. Com o rosto tatuado e o olhar de poucos amigos, o boxeador confessa ainda que, por muitas vezes, sentiu medo antes de uma luta.


O episódio envolvendo Desiree Washington, que o acusou de tê-la violentado, o que lhe rendeu três anos na cadeia, ganha tratamento especial, assim como outros antagonistas do lutador. Dentro do ringue, naturalmente, Evander Hollyfield, com quem trocou cabeçadas e mordidas, nos anos 90. Fora dele, Don King, que foi seu empresário e é acusado de ter roubado seu dinheiro. “Ele mataria a mãe por US$1”, alerta Tyson, que chama King de “réptil”.

A emoção fica para o final, com a derrocada do ídolo e a fala honesta após a derrota para o medíocre Kevin McBride, em 2005, que acabou encerrando sua carreira. “Não tenho mais estômago para isso. Não posso mais mentir para mim mesmo. Não vou desrespeitar o esporte perdendo para rivais desse calibre. O boxe não tem mais lugar no meu coração."

"Tyson" foi premiado na mostra "Um certo olhar", no Festival de Cannes.
"Tyson"
Quinta-feira (8), às 16h e às 20h, no Cine Glória

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