terça-feira, 25 de agosto de 2009

PRÓXIMA ESTRÉIA 28 DE AGOSTO: A PEDRA MÁGICA

O filme conta a história de Toby Thompson (Jimmy Bennett), de 11 anos, que é o saco de pancadas preferido dos mais implicantes vizinhos da comunidade de Black Falls, onde seus pais (e os de todo mundo) trabalham para as indústrias Black Box, fabricante da geringonça faz-tudo que é o maior sucesso no país.
Mas, durante uma horrível tempestade, cai do céu uma pedra colorida que realiza os desejos de qualquer um que a encontrar.
Repentinamente, a comunidade que Toby julgava ser estranha fica ainda mais esquisita.
À medida que a Pedra Mágica ricocheteia pela cidade - de criança para criança, de pai para pai -, os desejos rapidamente se tornam realidade e a vizinhança é virada de cabeça para baixo, em um turbilhão que faz surgir de tudo, de pequenos alienígenas a melecas gigantescas. Cineclik, UOl.

PRÓXIMA ESTRÉIA 28 DE AGOSTO: O MILAGRE DE STA. LUZIA



Documentário baseado em O Brasil da Sanfona, do Projeto Memória Brasileira, de Myriam Taubkin, cujo fio condutor é o famoso sanfoneiro Dominguinhos.
Há mais de 30 anos sem viajar de avião, o músico conduz o espectador por diversas regiões onde a sanfona ganhou destaque e de onde surgiram seus maiores intérpretes. O longa busca compreender o universo do instrumento em cada uma dessas localidades: o nordestino e sua saga de retirante, a partida e o desejo de um dia voltar; o pantaneiro e sua atitude contempladora, conectada ao tempo da natureza; o gaúcho e sua ode às tradições, o orgulho pela terra natal; e o paulista que, dividido entre a cultura caipira tradicional e o cosmopolitismo da metrópole, cria um estilo no qual todas as tradições estão presentes. Cineclick, UOL.

PRÓXIMA ESTRÉIA 28 DE AGOSTO: ANTICRISTO

Casal isola-se numa cabana na floresta, após a morte de seu único filho, mas as coisas acabam ficando ainda piores na vida dos dois. Cineclick, UOL.
CRÍTICA
Angélica Bito
Lars Von Trier não é exatamente conhecido por ser amado por seus atores ou mesmo por quem trabalha com ele. Nos extras de Dogville, Nicole Kidman confessa não ser nada fácil trabalhar com o diretor dinamarquês. Mas geralmente compensa: em Anticristo, Charlotte Gainsbourg apresenta a interpretação de sua carreira. O trabalho até lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no último Festival de Cannes. E, aliás, é o melhor elemento no novo filme de um dos idealizadores do Dogma 95, que, mais uma vez, assume de forma corajosa um filme polêmico desde a primeira exibição pública, ocorrida no festival francês. Neste filme, Lars Von Trier deixa com que a natureza tome seu curso em seus personagens, como se retomasse alguns dos preceitos do Dogma 95, como o naturalismo no ato de se fazer cinema. O epílogo é de uma beleza única: em fotografia preto-e-branco, mostra uma belíssima cena de sexo em câmera lenta entre os protagonistas, vividos por Charlotte e Willem Dafoe; paralelamente, Nic, o filho do casal, acorda no meio da noite. É uma tragédia anunciada, a mesma que permeia toda a narrativa do longa, calcada nessa dor dos personagens, nesse medo na medida em que têm de encarar a natureza, em si, que se mostra em seus medos, delírios e tragédias. O filme baseia-se simplesmente na entrega corporal, até, de Charlotte à dor de uma mãe, momento incomparável e indefinível. O filme é estruturado em capítulos, desenvolvendo-se principalmente na estética como uma fábula, um conto de fadas adulto, cercado pela tragédia a todo momento. A fotografia é impressionante e consegue levar o espectador a ser inserido na trama, temendo genuinamente a natureza que cerca os protagonistas. O filme incomoda, isso é fato, mas não se pode esperar menos de uma produção de suspense. A música quase não aparece no longa-metragem, ficando restrita de forma potente no prólogo e o epílogo por meio do trecho Lascia Ch'io Pianga, da ópera Rinaldo, composta por Georg Friedrich Händel.
É numa floresta chamada Éden – que, na tradição bíblica, é a habitação primitiva dos homens - que os protagonistas vão de encontro aos seus tormentos. Lá, o casal tem contato com os sentimentos mais instintivos, principalmente relacionados ao medo; na medida em que ela se entrega à essa natureza - “a igreja do Satanás”, como ela mesma define -, o caos toma conta da rotina do casal, que, se foi lá para se curar das dores, acaba lidando com todas elas ao mesmo tempo. O filme também retorna ao estudo ao qual a personagem feminina se dedicava antes da tragédia abater a vida familiar: uma tese sobre feminicídios. A palavra é ligada não somente a assassinatos contra mulheres, mas também à tortura, como se os crimes incorporassem a maldade, a crueldade contra as mulheres. Quando explora a loucura dos protagonistas no momento em que deixam a natureza conduzir seus atos, Anticristo acerta, principalmente pelas atuações e na criação do clima; Von Trier consegue explorar de forma única as locações naturais. No entanto, quando gira em torno do tratamento psicológico ao qual o marido, psicólogo, submete a esposa, que se afunda cada vez mais no luto, o filme perde o ritmo. Reflexos das próprias crenças do diretor, que não acredita em terapia. Percebe-se: o tratamento não surte efeito nenhum, pelo contrário. Ao abordar a questão dos feminicídios, Anticristo pisa em falso: passa uma falsa mensagem misógina. Claro, o final acaba dando a impressão de misoginia, mas a crueldade da personagem é livre de gêneros. De qualquer maneira, não há dúvidas que Lars Von Trier faz o que pretende com seu cinema: provoca. Provoca o espectador, provoca debates, provoca a reflexão.
Em tempo: a raposa que fala com o protagonista é algo que não dá para encarar de uma forma muito séria. Reflita: o que Lars Von Trier queria com esse animal?

PRÓXIMA ESTRÉIA 28 DE AGOSTO: BONS COSTUMES



John Whittaker (Ben Barnes) é um jovem aristocrata inglês que conhece a bela americana Larita Huntington (Jessica Biel), durante uma viagem ao sul da França.
Apaixonado, o rapaz acaba se casando com ela, por impulso. Ao levá-la para conhecer sua família, John dá início a uma série de confrontos, principalmente entre sua mãe e sua amada. Cineclick, UOL.

PRÓXIMA ESTRÉIA 28 DE AGOSTO: CARO SENHOR HORTEN



No momento em que um trem parte da estação sem o maquinista Odd Hortenn ele vê que a vida não terá mais tickets impressos e estações já conhecidas.
Horten se aposentou e a plataforma já não é tão segura como antes. Cineclick, UOL.

PRÓXIMA ESTRÉIA 28 DE AGOSTO: AMANTES

Leonard (Joaquin Phoenix) é um homem solteiro que mora no bairro de Brooklyn, em Nova York.
Quando duas mulheres completamente diferentes entram em sua vida, ele vê tudo virar de cabeça para baixo ao ficar dividido entre ambas.
Uma é a bela e misteriosa vizinha Michelle (Gwyneth Platrow), que acaba de se mudar; a segunda é a amável filha de uma família de amigos, apresentada por seus pais.
CURIOSIDADES
- Último filme do ator Joaquin Phoenix, que decidiu se aposentar após as filmagens. Cineclick, UOL.

PRÓXIMA ESTRÉIA 28 DE AGOSTO: OS NORMAIS 2 - A NOITE MAIS MALUCA DE TODAS

Entediados com o casamento, Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) saem à procura de uma terceira pessoa para apimentar a relação.
Em sua busca na noite de Copacabana, encontram uma mulher (Danielle Winits) separada, cantando no karaokê de uma boate decadente.
CURIOSIDADES
- O primeiro filme adaptado da série foi lançado em 2003 e teve 2,9 milhões de espectadores. Cinelick, UOL.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 21 DE AGOSTO: O FIM DA PICADA


Saci, Exu e Satanismo; o personagem Macário (Ricardo De Vuono) participa de uma orgia satanista numa praia brasileira do ano de 1850.
Na manhã seguinte, inicia sua viagem subindo a serra em direção à cidade de São Paulo, montado em seu burro.
No trajeto encontra Exú-Lebara (Claúdia Juliana), versão feminina da entidade fantástica do candomblé.
Livremente inspirado na obra Macário, de Álvares de Azevedo. Cineclick, UOL.
CRÍTICA
Ana Martinelli
O Fim da Picada é um filme de invenção. A afirmação pode ser clara para alguns, mas peço licença para uma pequena introdução sobre o assunto, antes de começar a falar mais especificamente sobre o primeiro longa-metragem de Christian Saghaard.
Vamos voltar no tempo e sintonizar o Manifesto do Cinema de Invenção do crítico e cinepoeta Jairo Ferreira. No seu ensaio/ inventário sobre cinema experimental, compartilha suas vivências e, a partir de suas referências, defende a invenção como seu cinema. No Manifesto, publicado no livro Cinema de Invenção, quase 15 anos depois da efervescência surgida no Cinema Marginal, Ferreira elenca, em 11 tópicos místicos, os portais para sintonizar esse cinema.
Mas o número sete é peculiar em seu simbolismo. VII Cinema do (G)rito. Cinema (Nô)made. Novas percepções no horizonte do (im)provável.
O Fim da Picada começa com uma orgia numa praia deserta no ano 1850, antes mesmo da visão do ritual que acontece. A primeira cena causa um misto de curiosidade e impacto: uma vagina em close com o número 7 marcado. O impacto pode virar repulsa ou sadismo, quando revela do que se trata, mas a curiosidade diante da pergunta "Se o filme começa assim... como será que ele acaba ou o que vem depois disso pode ser pior?" fica ainda maior.
O protagonista Macário (Ricardo De Vuono), livremente inspirado em Macário, de Álvares de Azevedo, sobe a serra rumo à cidade de São Paulo. Numa taverna, após muitas jarras de vinho, Macário encontra Exu-Lebara, entidade do Candomblé - no filme, representante de Satã.
Mais vinho, delírios, Macário pede que ela o leve à cidade. Ela aceita, mas o engana e a São Paulo que o protagonista vagará é contemporânea, com personagens bizarros, malditos, tão perdidos dentro do cotidiano perturbador quanto aquele homem. O filme pode ser considerado terror porque contém algumas construções de linguagem do gênero.
Mas beira o absurdo, pois no universo fantástico da narrativa, Saghaard trabalha com a alegoria. Resgata e resignifica símbolos do candomblé com sua Exu, Mulher, a figura do maldito, a atmosfera ultra-romântica, o folclore brasileiro com Saci-Pererê e a magia para os inserir no caos sem tempo de São Paulo.
O Fim da Picada dialoga com a forma anárquica, onírica e debochada do inventário do absurdo na metáfora da criação do Brasil de João Silvério Trevisan, em Orgia ou o Homem Que Deu Cria, e na constante reafirmação do caos do mundo de O Bandido da Luz Vermelha, reverberando na frase proferida por seu anti-herói “O terceiro mundo vai explodir! E daí?”, na cena final da obra-prima de Rogério Sganzerla.
Como bom antropófago, Saghaard usa suas referências em benefício da construção do seu universo cinematográfico e contextualiza-as em seu mundo. Num exercício radical de “novas percepções no horizonte do (im)provável”. O registro de quão absurda pode ser aquilo que chamamos de realidade. A crítica visceral é aberta e não se fecha no espectador.
O Fim da Picada é um filme difícil porque incomoda, faz ruminar e talvez enxergar mais coisas em comum com os nossos “demônios” de cada dia, que normalmente têm muito mais a ver com a gente do que gostaríamos de admitir. Um filme para ser visto com olhos, ouvidos e sentidos abertos.

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 21 DE AGOSTO: GIGANTE

Jara (Horacio Camandule), grande e tímido segurança de supermercado, descobre Julia (Leonor Svarcas), faxineira no lugar, pelas câmeras de vigilância e apaixona-se por ela.
Logo, sua vida passa a girar em torno da rotina dessa mulher e pelo desejo de conhecê-la.
PRÊMIOS
- Urso de Prata (Grande Prêmio do Júri), prêmio de obra estreante e prêmio Alfred Bauer (de inovação cinematográfica), no 59º Festival de Berlim (2009). Cineclick, UOL.

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 21 DE AGOSTO: AMANTES



Leonard (Joaquin Phoenix) é um homem solteiro que mora no bairro de Brooklyn, em Nova York.
Ele tem suas atenções divididas entre uma moça apresentada por seus pais e sua nova e misteriosa vizinha.
CURIOSIDADES

- Último filme do ator Joaquin Phoenix, que decidiu se aposentar após as filmagens.

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 21 DE AGOSTO: SE BEBER, NÃO CASE

Em Las Vegas para realizar uma despedida de solteiro, três amigos e padrinhos de casamento acabam se perdendo do noivo, após uma noitada de bebedeiras.
Agora, eles precisam reconstituir todos os passos que deram para encontrá-lo.

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 21 DE AGOSTO: A ONDA

Professor propõe um experimento que explique na prática os mecanismos do fascismo.
Em pouco tempo, seus alunos começam a propagar o poder da unidade e ameaçar os outros.
Quando o jogo fica sério, o professor decide interrompê-lo, mas descobre ser tarde demais. Cineclick, UOL.

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 21 DE AGOSTO: VERONIKA DECIDE MORRER

Veronika (Sarah Michelle Gellar) parece ter tudo, mas não é feliz.
Um dia, ela decide cometer suicídio e acorda em uma clínica psiquiátrica, onde descobre ter poucos dias de vida por possuir um coração fraco.
CRÍTICA
Celso Sabadin

Havia uma certa expectativa em relação à primeira adaptação cinematográfica de uma obra do escritor brasileiro Paulo Coelho. Infelizmente, a frustração foi maior. Veronika Decide Morrer, que Larry Gross (roteirista de 48 Horas) e Roberta Hanley (praticamente estreante) roteirizaram a partir do livro homônimo, resulta frio e sem emoção.

A Veronika do título é Sarah Michelle Gellar (a Daphne de Scooby-Doo), garota depressiva que ingere um punhado de comprimidos para tentar se suicidar. Não consegue. Ela vai parar numa clínica de reabilitação, onde recebe do médico (David Thewlis, o Remus Lupin de Harry Potter) a notícia que, mesmo “salva” por um tempo, a ingestão de pílulas foi tamanha que ela morrerá rapidamente.
Provavelmente, em menos de um ano. Veronika, então, fica mais depressiva ainda: além de ser incompetente em sua tentativa de suicídio, agora ainda terá de esperar para conseguir seu objetivo.

A direção gélida da inglesa Emily Young (Kiss of Life) distancia tela e público. A empatia com os personagens não acontece, além de ser muito, muito difícil comprar a ideia de que o casal protagonista – depressivo até a medula – passe a enxergar a vida cor de rosa literalmente da noite para o dia, após uma altamente improvável “descoberta” do amor.

Não dá liga. Não há credibilidade. Porém, mesmo partindo do pressuposto que – vá lá - os mais românticos estariam dispostos a engolir a trama, o final do filme é um primor de anti-cinema: uma carta qualquer, vinda do nada, narrada em off, explica verbalmente tudo aquilo que a direção, cinematograficamente, não conseguiu mostrar. Um desperdício. Cineclick, UOL

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 21 DE AGOSTO: MANHÃ TRANSFIGURADA


No final do século 19, quando as grandes propriedades são sinônimo de poder e a Igreja representa a autoridade moral, jovem é obrigada a casar com um rico estancieiro para resgatar a posição social de sua família.
Porém, na noite de núpcias, seu marido descobre que ela não é virgem.
Aprisionada e recebendo apenas as visitas do padre e do sacristão, ela envolve-se em um triângulo amoroso, marcado por paixões que desafiam a fé e a razão.
CURIOSIDADES
- Baseado no romance homônimo de Luiz Antonio de Assis Brasil (1982).
Cineclick, UOL.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 14 DE AGOSTO: FORÇA G-3D



Esquadrão de porquinhos da Índia recebe missão do governo norte-americano para deter os planos maquiavélicos de um bilionário, que planeja dominar o planeta.
CRÍTICA
Sérgio Alpendre, UOL Cinema

Nos anos 1950, os experimentos cinematográficos com a tão alardeada terceira dimensão limitavam-se a objetos sendo arremessados ou movimentados em direção à câmera, como uma pequena bolinha de ping pong amarrada a uma raquete que o performer segura na frente de um museu no clássico de 1953 Museu de Cera, dirigido pelo mestre André De Toth.

Os experimentos cresceram gradualmente, mas hoje, mais de cinquenta anos depois, o 3D alcança status de nona maravilha do mundo do cinema - nem me perguntem quais são as oito anteriores - mas ainda não rendeu um fruto aproveitável sequer. Atingiu, pelo contrário, o indesejável patamar do exagero, antes mesmo que soubessem organizar as informações na tela.

Força G até que engana bem durante os primeiros quarenta minutos. Os ratinhos, digo, porquinhos da Índia, são bonitinhos; a sensação dimensional é agradável a nossos olhos, até os diálogos soam bem. Na segunda metade, contudo, entra em cena a ação desenfreada, quando os heróis devem resolver os problemas sob o signo óbvio da correria constante. Aí a coisa fica terrivelmente chata, e é um tal de olhar o relógio para ver se falta muito para acabar, se ajeitar na poltrona, resistir ao sono. Todas aquelas minúsculas informações em 3D passam a agredir nossos olhos já cansados de tanta inutilidade, e passamos a desejar que a dor de cabeça não venha tão forte.

Força G, dessa forma, é mais um produto 3D a sucumbir por ausência de um maior interesse narrativo ou estético. Não adianta pensar só na tecnologia. Tudo deve estar a serviço de algo maior, uma narrativa, ou um experimento, que seja. Só não dá para encarar a terceira dimensão como um experimento palatável por mais de uma hora.

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 14 DE AGOSTO: AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO



Em meio às montanhas de Portugual, o mês de agosto é repleto de pessoas e atividades: emigrantes voltam para casa, soltam fogos de artifício, combatem os fogos, cantam no karaokê, atiram-se das pontes, caçam javalis, bebem cerveja, fazem filhos.
A história que acompanha as relações afetivas entre pai, filha e o primo desta, todos músicos numa banda de bailes.
CRÍTICA
Sérgio Alpendre, UOL Cinema
Na primeira cena, uma raposa tenta encontrar um meio de entrar num galinheiro. As aves, em tensão crescente, temem pelo pior. A cara da raposa quando, de uma maneira súbita e surpreendente, consegue entrar, é impagável. Como uma criança diante de um prato de mingau, ela está sedenta. Um corte imposto pelo diretor não nos permite ver o estrago. Mas fica claro que a imagem funciona como uma metáfora do que veremos a seguir, em mais de um nível.

Primeiro a raposa perseguindo as galinhas remete ao diretor perseguindo os atores para a história que ele quer contar. Ele deixa indicações bem claras das características de seus personagens e vai atrás de pessoas - de preferência, sem experiência prévia em atuação - para interpretá-los. Como são músicos, acompanha uma série de bandas populares em uma região específica de Portugal. Elas tocam em bailes noturnos músicas que falam de traição e relacionamentos.

Segundo porque é o próprio filme que persegue uma dramaturgia convencional, que acaba justamente quando ela estava consolidada na tela. É o processo todo que nos é mostrado, mesclando-se, aos poucos, com o filme que o diretor Miguel Gomes tem na cabeça, numa operação inusitada de falso documentário.

Em terceiro, vemos Gomes se colocando em cena e perseguindo uma originalidade incrível. Seu apetite é o de um subversivo, mas sua calma é de um diretor que sabe muito bem o que quer, embora finja que está desinteressado, como na hora em que tenta deixar uma pretensa atriz a ver navios para que ele possa jogar malha.

O que difere Aquele Querido Mês de Agosto de vários outros filmes cuja proposta é fazer com que a realidade invada a ficção é que este se abre por completo ao que seria visto facilmente como problemas de produção. Ele escancara (ou finge escancarar) todos os percalços do processo e faz disso o cerne do filme. Diferentemente de Samba-Canção, de Rafael Conde, no qual vemos todos os percalços se transformando dentro do filme pronto, numa brincadeira divertida com os tempos, o filme de Miguel Gomes vai ele próprio se alterando à medida que ele encontra seus atores. O real deixa de invadir o filmado.

Mas o que é real? E o que é filmado? Talvez a melhor diversão não seja procurar a resposta para estas perguntas, mas se deixar levar pela prosa deliciosamente auto-referente expressa neste trabalho surpreendente e muito original. São tantos depoimentos engraçados - no que o uso inteligente da língua portuguesa para nós, brasileiros, revela algumas nuances que fazem toda a graça, seja pelo sotaque, seja pela entonação com que cada coisa é dita - que o filme se torna uma comédia rasgada em muitos momentos, perdendo um pouco o pique somente quando ameaça se tornar mais convencional, justamente quando os atores são encontrados e a trama começa a aparecer.
Mas aí surge o diálogo final entre o diretor e o engenheiro de som (que contribui também com sua feição de aparente indiferença): um verdadeiro deleite para nossos ouvidos.

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 14 DE AGOSTO: TEMPOS DE PAZ



Em 1945, para fugir da Segunda Guerra Mundial, imigrantes europeus chegam ao Brasil, no porto do Rio de Janeiro.

Lá, encontra-se o interrogador da polícia especializado em torturas Segismundo (Tony Ramos), funcionário oficial no governo de Getúlio Vargas, que interroga o ex-ator polonês Clausewistz (Dan Stulbach), que conseguiu escapar do nazismo depois de passar pelos horrores da guerra.
CRÍTICA
Angélica Bito, UOL Cinema.
Filmado em dez dias, com orçamento de R$ 1,5 milhão, Tempos de Paz leva às telas a peça Novas Diretrizes em Tempos de Paz, de Bosco Brasil, também autor do roteiro do longa.
O espetáculo foi escrito apenas para uma apresentação em novembro de 2001; o sucesso foi tão grande que o espetáculo estendeu sua temporada por mais dois meses; em maio de 2002, a peça, que já tinha Dan Stulbach no elenco, recebeu o reforço de Tony Ramos. Viajando pelo Brasil, a peça foi vista por mais de 60 mil pessoas em 156 apresentações.
O filme é um projeto pessoal de Daniel Filho, que, quando viu a peça, já propôs levá-la ao cinema. Atuando neste trabalho como produtor, diretor e ator, Filho carrega em seu nome o sucesso de Se Eu Fosse Você.
No entanto, não é isso que o espectador deve esperar encontrar em Tempos de Paz. A história é sobre o diálogo travado entre o imigrante polonês Clawsenvitz (Stulbach) e Segismundo (Ramos), chefe da imigração na Alfândega do Rio de Janeiro. Em 18 de abril de 1945, presos políticos são libertados e o governo brasileiro estreita relações com outros países com o fim da Segunda Guerra Mundial.
São as novas diretrizes de tempos de paz. Pressionado por todos os lados, Segismundo acaba descontando em Clawsenvitz sua frustração, ameaçando não permitir que ele entre no Brasil, sob a suspeita de atividades comunistas.
O filme gira em torno dessa batalha travada entre os dois personagens. No momento em que Segismundo desafia Clawsenvitz a fazê-lo chorar em troca do visto, a relação travada entre os dois personagens encontra o âmbito do teatro, levando o longa a um belo clímax. Mas trata-se da peça filmada. Existe uma trama paralela relacionada ao envolvimento de Segismundo com a tortura de presos políticos na época do governo de Getúlio Vargas, mas ela fica em segundo plano, caminhando perdida em meio ao centro da ação em Tempos de Paz, centrada nos dois personagens.
Destaca-se a atuação de Stulbach, capaz de arrancar lágrimas não somente dos personagens do filme no clímax final, mas também dos espectadores mais sensíveis. Com este filme, Daniel Filho mostra um projeto mais pessoal, que não deve alcançar as tremendas bilheterias de ambos os Se Eu Fosse Você, mas firma melhor as intenções artísticas do realizador, que também tem o objetivo de homenagear imigrantes europeus que chegaram ao Brasil após a Segunda Guerra Mundial.

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 14 DE AGOSTO: BRÜNO

O comentarista de moda austríaco Bruno leva seu programa de TV para os Estados Unidos.

Pouco tempo depois, ele inicia uma corrida para virar celebridade, surpreendendo as pessoas à sua volta e colocando-as em situações desconfortáveis

CRÍTICA
Heitor Augusto, UOL Cinema.
Caso você ainda não tenha reparado, o imenso subtítulo do novo filme de Sacha Baron Cohen é “divertida jornada pela América com o intuito de mostrar o visível desconforto de homens heterossexuais na presença de um estrangeiro gay vestindo uma camiseta transparente”.
Ufa! Parece bobeira essa interminável frase, mas não se engane. Brüno é exatamente isso: uma hora e meia humor de ácido embalado com situações pastelonas, escrachadas e supostamente despretensiosas.

O estilo Sasha Baron Cohen todos conhecem, não é novidade. Muita cara de pau para expor o alvo da piada em uma situação constrangedora, seja ele o republicano Ron Paul ou instrutor de defesa pessoal que ensina como se proteger de gays munidos de “consolos”. Irreverência e falta de pudor que já vimos em Borat, o desastrado repórter cazaque em busca de Pamela Anderson.

Desta vez, Baron Cohen é um repórter de moda austríaco que compara Mel Gibson a Hitler, tropeça no idioma estrangeiro, estraga um desfile de moda e por aí vai. Em suas missões, conta com o fiel escudeiro Lutz (Gustaf Hammarsten), que nutre uma paixão platônica pelo fashionista – algo como Smithers para com sr. Burns no seriado Os Simpons.

Suas piadas e esquetes não deixam pedra sobre pedra. Sobram para os ativistas lights (leia-se Bono, vocalista do U2) e para celebridades que adotam crianças africanas (leia-se Madonna). Como cereja, uma dose de auto-ironia, já que Baron Cohen, judeu, tira sarro com os ortodoxos. Ninguém sai ileso.

O maiô verde-limão deu lugar a um figurino brega-fashion. Apenas para humilhar e proporcionar diversão relaxante ao espectador? Pelo contrário, o filme reforça a contribuição de algumas igrejas para a intolerância, traça uma crítica à busca da fama, ao conceito vazio de sustentabilidade, ao plástico mundo da moda, ao não diálogo entre judeus e palestinos. Um humor tão político quanto à crítica à direita de Steven Colbert, o âncora de The Colbert Report.

A questão a ser respondida pelos espectadores brasileiros é se os esquetes vão apontar o preconceito conhecido por todos ou causar um sentimento de epifania – algo como “oh, existe homofobia no mundo”.

Com um roteiro muito mais coerente e encadeado que Borat, Brüno é uma eletrizante e hilariante crítica à intolerância. Piadas ácidas cobertas depurpurina.

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 14 DE AGOSTO: SE NADA MAIS DER CERTO



Leo (Cauã Reymond) é um jornalista endividado, que faz alguns trabalhos esporádicos, pelos quais não recebe pagamento.
Falta-lhe dinheiro para tudo: aluguel, para a esposa anoréxica e viciada, o filho dela, o salário da empregada.
Para tentar sanar suas dívidas, ele acaba se envolvendo em golpes armados por Marcin (Caroline Abras), um ser andrógeno.
CRÍTICA
Angélica Bito, UOL Cinema.
Se Nada Mais Der Certo é o quarto longa-metragem de José Eduardo Belmonte, que, aos 39 anos, imprime visíveis marcas na cinematografia brasileira. Seus dois primeiros filmes - Subterrâneos (2003) e A Concepção (2005) – foram rodados em Brasília; em 2007, voltou à cidade de São Paulo no independente Meu Mundo em Perigo para, com Se Nada Mais Der Certo, manter-se na mesma cidade, uma escolha geográfica que mostra-se claramente refletida na tela não somente pelas ambientações, mas também na definição dos próprios personagens.
Em especial na obra de Belmonte, a questão do local é de extrema importância, já que ele desenvolve tramas que só poderiam ocorrer onde ele filma, o que ele já mostra em seu primeiro filme: Subterrâneos se passa no Conic, centro comercial localizado no centro de Brasília que reúne escritórios comerciais, igrejas, bares, puteiros e lojas de camisetas legais, de uma forma que somente quem vai lá e quem assistiu ao primeiro filme de Belmonte consegue ter ideia, mas jamais entender.
Neste quatro trabalho em longa-metragem, os painéis de neon da rua Augusta ajudam a dar o tom às relações afetivas nutridas entre os personagens do longa. Leo (Cauã Reymond) é um jornalista que sobrevive em São Paulo sem ter muito sucesso. A profissão é difícil, sabemos, e a cidade grande é capaz de devorar quem não está apto a viver nela. Em sua casa, vivem a empregada (que evidentemente não recebe salários há meses, mas continua lá para ter onde dormir), uma jovem que sofre de bulimia (Luiza Mariane) e seu filho pequeno – cuja relação com o protagonista não fica muito bem definida.
O envolvimento com Marcin (Caroline Abras) leva Leo a participar de golpes e negócios ilícitos a fim de melhorar suas condições de vida, que nunca dão certo, afinal. Em comparação a A Concepção, longa anterior de Belmonte que conseguiu chegar ao mercado comercial, Se Nada Mais Der Certo tem uma certa leveza, embora seus personagens transitem em situações complicadas, pesadas.
O filme de 2005 passa uma urgência violenta, provocativa, enquanto este traz a delicadeza das relações afetivas. As imagens de Se Nada Mais Der Certo trabalham muito com o foco e a falta dele. Os personagens são encarados pela câmera de perto.
Aliás, o filme não tem medo de encarar seus personagens de forma íntima, relação desempenhada pela proximidade das lentes de Belmonte. Com belas atuações, uma trama densa, desenvolvida de modo intenso, o filme é uma crônica de pessoas perdidas na cidade de São Paulo, esmagadas pela grandiosidade da grande metrópole.

PROXIMA ESTRÉIA 14 DE AGOSTO: CONFISSÕES DE UMA GAROTA DE PROGRAMA



Christine (Grey) é uma prostituta de luxo de 22 anos que cobra caro por cada programa.
Sua história é ambientada nas eleições de 2008 (que resultariam na vitória de Obama) e ela tem de lidar com os clientes que buscam mais que um programa, além de conciliar os dilemas de seu namorado.
CRÍTICA
Heitor Augusto, UOL Cinema
O que levou Steven Soderbergh a realizar Confissões de Uma Garota de Programa?
Após 78 minutos de filme, não consigo dar uma resposta satisfatória a essa questão. Está claro o que ele não queria fazer, mas continua obscuro o que ele queria, de fato. O que ele não queria: a) usar o corpo de Sasha Grey, atriz pornô e protagonista de seu filme, para vender ingresso; b) dar glamour à vida de prostituta de luxo; c) fazer um filme feel good sobre uma garota guerreira que vence desafios.
Mas o que Soderbergh (Che) queria? Sinceramente, ainda não sei. Confissões de Uma Garota de Programa não tem nenhum grande segredo, ação, conflitos ou mistérios, opção que está longe de ser uma problema.
Há excelentes filmes nos quais nada acontece, mas, ao mesmo tempo, tudo acontece – tomo como exemplos Cinema, Aspirinas e Urubus, Encontros e Desencontros ou Um Conto de Natal. Já que não há mistérios a serem revelados ao espectador, então o filme poderia apostar suas fichas nos personagens e suas relações, o que definitivamente não acontece.
Todos – absolutamente todos! – são de plástico, envoltos em uma bolha invisível. Até mesmo Chelsea (Grey), a protagonista que está em quase todas as cenas, entra na nossa vida como uma desconhecida e sai da mesma maneira. Soderbergh sabe filmar, é óbvio, e habilmente instiga o olhar com uma montagem que brinca com o agora, o que já passou e o que virá. Subverte a ação que normalmente esperaríamos de um filme sobre uma prostituta e priva o espectador de uma visão romântica. Raras são as cenas de sexo e não há melodrama em torno de seus conflitos ou frustrações.
O problema é que o filme não é apenas low profile, mas asséptico. Saí sem me relacionar com Chelsea, seu namorado Chris (Chris Santos) ou qualquer um de seus clientes. Talvez o único momento em que eu tenha sentido o sangue pulsar em Confissões de Uma Garota de Programa é a discussão em torno dos então presidenciáveis Barack Obama e John McCain.
Isso é apenas pano de fundo. O filme pensa em priorizar pequenos detalhes, mas não os constrói. Usa um nome associado à indústria pornográfica (Sasha Grey) para nos privar do sexo, mas se esquece de contar uma boa história. Confissões de Uma Garota de Programa é insosso e inodoro. Another Steven Soderbergh Experience, como nos lembra o cartaz do também asséptico Bubble.

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 14 DE AGOSTO: ARRASTA-ME PARA O INFERNO


Christine Brown (Alison Lohman) é uma ambiciosa analista de crédito de um banco de Los Angeles, que tem um ótimo namorado, o professor Clay Dalton (Justin Long), e um futuro promissor.
Um dia, a senhora Ganush (Lorna Raver) chega ao banco, implorando que prorrogue o pagamento de sua hipoteca.
Mas, para agradar ao chefe, Christine nega o pedido, fazendo com que a senhora seja despejada de sua casa.
Como retaliação, a senhora Ganush lança uma maldição sobre a jovem e sua vida se transforma em um verdadeiro inferno.
CRÍTICA
Sérgio Alpendre, UOL Cinema

Sam Raimi está de volta ao gênero que o revelou, após o passeio com desenvoltura pela franquia de sucesso Homem Aranha, que dirigiu com certos poderes desde o primeiro episódio. Em Arrasta-me Para o Inferno fica claro o entendimento que Raimi tem das regras do gênero e a inegável habilidade na hora de subvertê-las.

Em primeiro lugar, o que está em jogo no filme inteiro é o dinheiro. O menino do começo é amaldiçoado pelo roubo de um colar, assim como a protagonista Christine Brown (aliás, Alison Lohman, de Coisas que Perdemos Pelo Caminho), resolve negar a extensão de um empréstimo a uma velhinha para que o banco lucre com a hipoteca da casa e ela seja favorita para assumir um cargo importante. Sua motivação foi, indiretamente, dinheiro. Assim como a motivação dos médiuns que tentam salvá-la da maldição de uma bruxa - a mesma da casa hipotecada - é principalmente os volumosos honorários que cobram. "É um grade risco", diz, com razão, o primeiro que ela encontra.

A questão é que essas coisas materiais – dinheiro, pagamento, promoção, casarões e outros bens valiosos – raramente aparecem com tanta inteligência em um filme de gênero. O achado de Raimi foi inseri-los meio que por contrabando, sem que o espectador se incomode de ter a atmosfera assustadora com o intermediário financeiro sempre à espreita. Podemos até rir do preço cobrado pela tentativa de livrar Christine da maldição, mas não consideramos aquilo como parte integrante do filme. Parece uma piada desconexa, uma brincadeira para o espectador. Como o filme tem outras brincadeiras com a plateia, geralmente parodiando clichês dos novos filmes de horror, fica difícil saber quando Raimi está se levando a sério, e se em algum momento está.

Essa paródia com o novo horror rende algumas cenas muito engraçadas, mas não funciona o tempo todo. O excesso de gosma que sai dos diversos orifícios da velha bruxa, assim como a fascinação que a câmera de Arrasta-me Para o Inferno parece ter pela podridão de sua carne e de sua ameaçadora dentadura às vezes dá uma impressão de que Raimi ainda está aprisionado em uma adolescência inconsequente e estéril, mas distante dos achados estilísticos de Uma Noite Alucinante II. Esse aprisionamento acaba fazendo com que certos tiros saiam pela culatra, e o ritmo seja prejudicado, assim como o clima assustador que ele consegue impor com precisão em algumas cenas. É um desagradável e inesperado ponto de desequilíbrio vindo de quem já mandou bem tanto no horror quanto na comédia (vide o hilário Dois Heróis Bem Trapalhões).

Dois parágrafos acima eu disse que parece piada a insistente conotação material das coisas. Na verdade, não é, apesar dos risos se justificarem. O dinheiro não está ali à toa. É o dinheiro que arrasta todos para o inferno. Moral, espiritual, material, o que for, esse inferno não é nada agradável. Não é o inferno idealizado por alguns playboys do cinema, com mulheres nuas, jogatina e muitas drogas. É simplesmente o fogo eterno sob a terra. O trunfo de Raimi é conseguir despertar com a mesma facilidade o riso e o horror.

domingo, 9 de agosto de 2009

Filho de Michael Douglas usava pseudônimos para vender drogas, diz revista

da Folha Online
Cameron Douglas foi cuidadoso ao usar pseudônimos, códigos, caixas de correio alugadas e telefones descartáveis, mas no fim o filho do vencedor do Oscar Michael Douglas, foi delatado por antigos amigos e parceiros que queriam salvar a própria pele, afirma neste domingo o site da revista "People", que traz detalhes da prisão do ator.

A acusação de dez páginas contra Douglas --preso no final de julho por tráfico de metanfetamina-- pinta o retrato do ator, de 31 anos, como um traficante de drogas que, durante os últimos três, vendeu uma quantidade enorme de 'crystal meth', comumente em hotéis chiques de Nova Yor e Los Angeles, usando o FedEx para movimentar dinheiro e drogas pelo país.

Douglas, que também atuava como produtor e tocava como DJ em alguns clubes de Nova York e L.A., utilizava sua assistente para se apresentar a potenciais compradores de grandes quantidades da droga, diz o processo.

Sua ex-assistente e dois de seus compradores começaram a colaborar como testemunhas com a polícia depois de serem presos por porte de drogas.

Códigos
Segundo a "People", Douglas conduzia a maior parte de seus negócios com caixas de correio alugadas e sempre foi cuidadosos ao usar palavras codificadas em mensagens de texto e ligações telefônicas.

"Quanto eu te mandar a massa", ele disse para um de seus colaboradores em 22 de julho, "você pode me mandar a papelada para, você sabe, o próximo pedido."

Em outra ocasião, diz a acusação, depois de fornecer o que aparentemente era o "crystal meth", ele perguntou à testemunha: "Você teve a chance de cheirar um desses sais?". Acrescentando "eu estava tão empolgada para que você tomasse um banho e visse com seus próprios olhos."
Douglas já havia sido preso e indiciado por porte de cocaína em 2007 em Santa Barbara, na Califórnia. Ele pode pegar no mínimo dez anos e no máximo prisão perpétua pelas acusações.
O advogado de Douglas não respondeu aos pedidos da "People" para comentar o caso, assim como a família do ator.

Crise econômica também atinge salários em Hollywood

da Folha Online
A recessão mundial decorrente da crise econômica não está atingindo apenas famílias, trabalhadores da construção, varejistas e executivos de Wall Street, mas também os astros de Hollywood.

Segundo a mídia australiana, os estúdios estão obrigando atores, diretores e roteiristas a diminuírem seus salários habituais --entre os nomes citados estão Nicole Kidman, Julia Roberts e Denzel Washington. "Antes que um ator entre na sala agora, eles já avisam: 'Nós temos apenas X dólares para esse papel, então não envie ninguém que não aceitaria esse salário'", disse o gerente da agência One Management, de Hollywood, citado pelo portal NEWS.com.au.

O jornal "Los Angeles Times" examinou a questão recentemente, entrevistando donos de estúdios, executivos, produtores e agentes e descobriu que a queda de quase 25% nas vendas de DVDs, o colapso dos mercados financeiros --constante fonte de financiamento de filmes-- e a última greve de roteiristas no ano passado contribuíram para o aperto orçamentário.
Estúdios e produtores vão cortar o salário de atores para guardar dinheiro para os efeitos especiais e visuais, locações e outros custos que mantêm o valor da produção de um filme.
Filmes sem grandes estrelas, como "Star Trek", provaram que o sucesso nas bilheterias nem sempre depende de atores de primeira linha.

Atores que costumavam pedir e receber US$ 15 milhões por filme agora ganham US$ 10 milhões, e aqueles que recebiam isso agora levam "apenas" US$ 6 milhões, diz o site.

Melodrama feminino traz Dakota Fanning e Queen Latifah

SÃO PAULO (Reuters) - Tendo como um dos produtores o famoso astro Will Smith (de "Sete Vidas" e "Eu Sou a Lenda"), o melodrama "A Vida Secreta das Abelhas" adapta um bestseller nos EUA, escrito por Sue Monk Kidd. O filme entra em cartaz em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Dirigido e roteirizado por Gina Prince-Bythewood - uma diretora experiente em televisão -, "A Vida Secreta das Abelhas" procura atrair um público feminino e interessado em histórias sentimentais, contando com um time de atrizes consagradas.
A adolescente Dakota Fanning ("Guerra dos Mundos") encabeça a lista, interpretando Lily Owens. Menina triste, ela foi marcada por uma tragédia muito cedo, envolvendo a morte da mãe.
O pai, T. Ray (Paul Bettany, de "Coração de Tinta"), é bruto com ela e com sua empregada, Rosaleen (Jennifer Hudson, de "Dreamgirls") - a única pessoa a ter um vínculo afetivo real com Lily.
A aliança entre as duas se fortalece quando Rosaleen, acompanhada por Lily, vai à cidade disposta a registrar-se como eleitora. O ano é 1964 e acaba de ser aprovada a Lei dos Direitos Civis que impõe limites à histórica discriminação contra os negros.

Mas, na Carolina do Sul, onde elas moram, os rancheiros brancos não estão dispostos a aceitar as mudanças. Diante dos olhos apavorados de Lily, alguns deles espancam barbaramente Rosaleen que, ferida, ainda vai presa por ter reagido.
Diante da omissão do pai, Lily entra escondida no hospital onde sua empregada está amarrada na cama, e as duas escapam. Seu destino é Tiburon, onde a menina quer procurar pistas sobre sua mãe morta.

A etiqueta de um pote de mel, igual a uma ilustração que Lily viu entre as coisas de sua mãe, leva a garota a procurar sua fabricante, August Boatwright (Queen Latifah, de "Hairspray - Em Busca da Fama").

Líder de uma família negra e próspera na cidade, ela acolhe Lily e Rosaleen em sua casa, contrariando a irmã June (Alicia Keys), ativista pelos direitos dos negros e feminista, que desconfia da história contada pela menina branca. A outra irmã, May (Sophie Okonedo, de "Hotel Rwanda"), muito sensível, apega-se logo às duas recém-chegadas.
A estadia na casa de August, enquanto seu pai a procura sem ideia de seu paradeiro, prolonga-se tempo o bastante para que Lily descubra uma vida nova, em que trabalha como apicultora e passa a fazer parte de uma afetuosa comunidade feminina.

O subtema do racismo se dilui para dar lugar a uma história sentimental que se resolve quase sempre através de simplificações piegas.
Descontadas as pieguices, o filme registra uma raridade no cinema norte-americano - um princípio de romance interracial, entre a menina Lily e o filho de uma das amigas da casa, Zach (Tristan Wilds). Seu beijinho é o máximo de ousadia a que este filme açucarado se permite.
(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

ESTRÉIA HOJE!!!!!!! MARIDO POR ACASO

Uma Thurman volta à comédia com "Marido por Acaso"
SÃO PAULO (Reuters) - Uma Thurman parece não querer largar tão cedo o vestido de noiva. Depois de interpretar nos dois "Kill Bill" uma personagem chamada de A Noiva, ela assume novamente o vestido branco e marcha rumo ao altar na comédia romântica "Marido Por Acaso", que estreia em circuito nacional.

Desta vez, a atriz é a dra. Emma, uma psicóloga a um passo de casar-se com o homem que considera seu grande amor, o editor Richard (Colin Firth, de "Mamma Mia!"). Ela comanda um programa de rádio no qual distribui conselhos amorosos a mulheres mal amadas e afins. Tudo vai bem até ela sugerir a uma ouvinte que pense duas vezes antes de se casar.
A moça desmancha seu casamento com o bombeiro Patrick (Jeffrey Dean Morgan, de "Watchmen") e este decide vingar-se da psicóloga.
Com ajuda de um garoto que parece saber tudo de Internet, Patrick falsifica documentos e forja um falso casamento com Emma. Quando a psicóloga e Richard vão oficializar sua união, são avisados de que ela não é solteira. Para cancelar o casamento, o bombeiro deverá assinar uma série de formulários. Antes, ele tem alguns planos para infernizar a vida de Emma e dar seu troco.
Por uma coincidência - daquelas que só acontecem em filmes - Patrick deverá passar-se por Richard - para, aliás, defender o emprego do editor.
O bombeiro e a psicóloga começam a ficar mais tempo juntos para enganar um casal de alemães (vividos por Isabella Rosselini e Kier Dullea, cujo crédito mais famoso é o astronauta de "2001 - Uma Odisséia no Espaço"). Surpresa das surpresas: Patrick se apaixona por Emma, e vice-versa.

CRÍTICA
"Marido por Acaso" é uma comédia romântica e, como tal, todos sabem o que vai acontecer no final. O 'como vai acontecer' não é tão difícil assim de imaginar.

Emma fica balançada, pois sempre planejou sua vida nos mínimos detalhes. Assim, na sua cabeça, Richard é o cara ideal para ela, um sujeito certinho, além de editor do seu livro que acaba de ser publicado e é um sucesso.

Por outro lado, o bombeiro Patrick é um romântico inveterado e surpreendente, como Emma esqueceu que uma pessoa pode ser - o que traz a excitação que faltava na vida dela.

Dirigido por Griffin Dunne ("Da Magia à Sedução"), "Marido Por Acidente" passa longe do brilho de comédias como "O Pecado Mora ao Lado" (55), de Billy Wilder, e "Jejum de Amor" (40), de Howard Hawks, que elevaram o gênero a um patamar superior. Na falta de um diretor desse quilate hoje, o carisma de Uma Thurman torna-se a única compensação.
(Por Alysson Oliveira, do Cineweb) Portal UOL.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Um filme para o presidente

Me dizem que o presidente Lula tem uma intuição política impressionante, e não tenho motivos para duvidar.

Desde que chegou ao poder driblou alguns rolos incríveis: crise cambial, ausência crônica de crescimento econômico, mensalão e suas cercanias, os ímpetos de Hugo Chavez, os desequilíbrios argentinos, a crise econômica, PMDB em geral, Sarney em particular (este ainda em curso).
Devo estar esquecendo muita coisa.

Pois bem: com tudo isso, acho que está entrando na maior roubada a que alguém poderia aspirar: um filme sobre sua vida, em vida e em poder.

Não tenho notícia de dirigente que tivesse recebido tão duvidosa honraria. Nem Mussolini, nem ninguém. Houve o filme sobre o De Gaulle, é verdade, mas era sobre a tentativa de dar um fim nele ("O Dia do Chacal"). Deve haver algum outro caso, mas não fui informado.

A única, e não muito louvável, exceção no gênero é Stalin, que era personagem mais ou menos frequente do cinema russo do seu tempo. Mas Stalin tinha essa vantagem incomparável: se não gostasse do filme passava fogo no cara. Se estivesse num dia bom, ele era apenas despachado para a Sibéria.

Ora, Lula não fará o mesmo com Fabio Barreto, o imortal autor de "Luzia Homem".
O orçamento está em R$ 17 milhões, o que não me parece exagerado para contar uma vida, sobretudo levando em conta que "Bela Donna", há onze anos, consumiu uma boa nota para não contar mais ou menos nada.

O dinheiro, pelo que li na coluna da Monica Bergamo, vem em boa parte de empreiteiras e empresas mais ou menos envolvidas com o governo. Algumas: OAS, Odebrecht, Camargo Corrêa. Todas empreiteiras. Oi: telefonia.

E por aí vai. Não quero dizer que exista corrupção, não é bem isso. Mas não acho que faça bem essa mistura estranha entre empreiteiras e um filme sobre a vida de um presidente no cargo.
Para resumir, fosse eu presidente e arranjaria algum meio de impedir a exibição do filme.

Mandava queimar os negativos, qualquer coisa. Seria acusado de autoritarismo, mas dane-se. Antes isso. O ideal, em todo caso, teria sido impedir a realização do filme. Agora já era.

Em todo caso, estou longíssimo de ser um gênio da política, quanto a isso não há nenhuma dúvida.

Também não há dúvida de que vaidade, quando passa de certos limites, pode ser um perigo. Pelas imagens que circulam no You tube parece que a coisa vai ser constrangedora.
Por Inácio Araujo, Blog do Inácio Araújo, de Boca em boca, UOL Cinema.

Robert Pattinson é o homem mais sexy do mundo


Da Redação, UOL Cinema.
Foto: Divulgação
Robert Pattinson (Crepúsculo) foi eleito o Homem Mais Sexy do Mundo, segundo a revista British. O ídolo de jovens e adultos repete a liderança no ranking, feito também pela revista Glamour, que o elegeu como o Mais Quente de Hollywood.

Em segundo ficou Johnny Depp (Piratas do Caribe), seguido por Hugh Jackman (X-Men Origins: Wolverine).
O jogador de futebol David Beckham conseguiu o feito de ficar à frente de Brad Pitt (Queime Depois de Ler), votado como o quinto ator mais sexy do mundo.
Completam a lista dos Top Ten Zac Efron (17 Outra Vez), George Clooney (O Amor Não Tem Regras), Chace Crawford (do seriado Gossip Girl), Justin Timberlake (O Guru do Amor) e Colin Firth (Mamma Mia!).

A próxima aparição de Robert Pattinson nos cinemas será em A Saga Crepúsculo: Lua Nova, em 20 de novembro.

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 07 DE AGOSTO: A VIDA SECRETA DAS ABELHAS

A VIDA SECRETA DAS ABELHAS
Nos anos 60, no sul dos Estados Unidos, a adolescente Lily Owens (Dakota Fanning), de 14 anos, e a amiga Rosaleen (Jennifer Hudson) fogem da dura criação para descobrir o que aconteceu com a mãe de Lily.
No caminho, conhecem três irmãs criadoras de abelhas que as conduzem por uma jornada inesquecível. UOL Cinema.

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 07 DE AGOSTO: UM ROMANCE DE GERAÇÃO

UM ROMANCE DE GERAÇÃOCarlos (Isaac Bernat) lançou um livro que a crítica adorou, mas nunca mais escreveu outra obra. Esquecido, entrega-se à bebida e às corridas de cavalos.
Até que uma jornalista aparece para entrevistá-lo. Como é sua grande chance, ele inventa livros que nunca escreveu, em um divertido e ácido duelo.

CURIOSIDADES
- Todos os profissionais envolvidos são sócios e trabalharam de graça no filme.

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 07 DE AGOSTO: MOSCOU

MOSCOU
O filme acompanha o processo de ensaio do texto As Três Irmãs, de Anton Tchecov, com montagem conduzida pelo grupo de teatro mineiro Galpão, dirigido por Enrique Diaz.
CRÍTICA
Heitor Augusto
“Os ensaios do Grupo Galpão, de Belo Horizonte, da peça Três Irmãs de Tchecov, sob a direção de Enrique Diaz. Os bastidores de um espetáculo que não chegará ao palco, numa experiência catalisada pelo e para o filme”.
Esta é a sinopse oficial de Moscou, o novo documentário de Eduardo Coutinho.
Há no trecho a supressão de uma palavra que traz a essência do que é o filme. E essa palavra é “processo”.
Coutinho radicaliza o que havia indicado em Jogo de Cena e o que iniciara há 25 anos em Cabra Marcado Para Morrer.
Com seu novo documentário, ele não apenas flerta com a ficção, mas nos apresenta um filme que prioriza o processo de criação e não o resultado.
A opção pelo Grupo Galpão não é por acaso. Fundada em 1982 em Belo Horizonte por seis atores, a trupe tem um pé no teatro de rua, na improvisação e no circo, e o outro na pesquisa, discussão metalingüística teatral.
O Galpão, responsáveis por montagens-símbolo como A Rua da Amargura e sua versão de Romeu e Julieta, tem como uma das principais características o acréscimo de qualquer experiência trivial nos trabalhos e montagens de peças. Digamos, uma antropofagia da simplicidade.
Moscou é o encontro de um grupo que prioriza o processo dramartúrgico com um diretor de cinema que cada vez mais tem se interessado pelo método e pela experiência, não apenas pelo resultado. E isso já estava indicado em Jogo de Cena, no qual ele explicitou o quão turva é a separação entre interpretação e discurso verídico e, além, fez com que suas atrizes falassem ao espectador sobre como foi interpretar os personagens.
O novo filme é um passo à frente. A câmera sai da posição de objeto de registro e se torna personagem. As atrizes não interpretam para ela, mas com ela e por ela a versão à mineira de Três Irmãs, escrita em 1901 pelo russo Anton Tchecov.
Os atores interpretam por quase todos os 80 minutos de filme, seja nos intervalos, nos camarins, na hora do lanche ou quando falam de suas próprias experiências.
Moscou é uma pindorama. Simultaneamente, documenta o processo de criação do Grupo Galpão e intervém no decurso dos ensaios. Coutinho radicaliza a intervenção em primeira pessoa que fizera em Cabra Marcado Para Morrer e mostra que não apenas seleciona o que sua câmera capta. Sem receios, parte para o ataque e assume a posição de interventor. Em suma, nos mostra que o método, a progressão e o movimento são mais importantes que o resultado final. Ou seja, o meio é mais interessante que o começo ou o fim.

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 07 DE AGOSTO: O CONTADOR DE HISTÓRIAS


O CONTADOR DE HISTÓRIAS

O filme mostra a vida de Roberto Carlos Ramos (Cleiton Santos, na idade adulta), pedagogo mineiro e um dos melhores contadores de história da atualidade. Criado na Febem desde os seis anos de idade, aos 13 anos ele conhece a pedagoga francesa Margherit Duvas (Maria de Medeiros), que mudou sua vida radicalmente.
CRÍTICA
Heitor Augusto
Se os únicos Robertos Carlos que você conhece são o Rei de Detalhes e o jogador que ajeitava as meias enquanto a França eliminava o Brasil na Copa do Mundo, está na hora de acrescentar mais um homônimo na sua lista: o mineiro Roberto Carlos Ramos, um dos dez maiores contadores de histórias no mundo. Ele ganha seu primeiro retrato ficcional em O Contador de Histórias.
Um pé no realismo, outro na imaginação. Passando de um lado para o outro da linha, o filme, que começa no ano de 1978, conta a história de Roberto da infância à adolescência, período em que ele ficou internado na recém-criada Febem. O ponto de mudança em sua vida é o aparecimento da pedagoga francesa Margherit (Maria de Medeiros), que abandona sua função profissional e ocupa o papel de mãe na vida do garoto.
É um filme carinhoso, que tem seus melhores momentos quando parte para a alegoria e o lúdico. Qual é a primeira impressão de um menino prestes a entrar numa prisão para crianças? E a professora de educação física, que mais se parece com um hipopótamo? E o furto com a turma, cuja estratégia ele desenha como um time de futebol em ação, com centroavante e tudo? Qual a história fantástica, engraçada e mentirosa que ele vai contar para explicar a internação? O lúdico para explicar a dor.
Outro ponto do filme dirigido por Luiz Villaça (Cristina Quer Casar) é a relação de amizade e confiança que gradativamente surge entre Roberto Carlos e Margherit, que mais se parece uma Amélie Poulain made in Belo Horizonte. Tom dado tanto pela boa interpretação de Maria de Medeiros, de Marco Ribeiro e Paulinho Medeiros, que interpretaram o protagonista aos 6 e 13 anos, respectivamente.
Se você conhece minimamente a trajetória de Roberto (“Robertô” no sotaque francês de Margherit), egresso da Febem eleito em 2001, nos Estados Unidos, um dos maiores contadores de história do mundo, o filme não guarda segredos. Ainda mais porque ele mesmo narra, em off, sua própria vida.
O Contador de Histórias, que tem a produção de Denise Fraga e Francisco Ramalho Jr., não é um filme para chacoalhar o cinema nacional. Não quer, e nem tenta, reinventar a roda. Um filme comportado, mas simpático. UOL Cinema.

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 07 DE AGOSTO: G.I. JOE - A ORIGEM DE COBRA

G.I. JOE - A ORIGEM DE COBRA
Adaptação dos personagens em quadrinhos, por sua vez inspirados na coleção de bonecos Comandos em Ação. No filme, centrado em como o Cobra tornou-se um grupo terrorista, a elite militar americana conhecida como G.I. Joe está na Europa quando recebe a missão de derrotar uma organização do mal, liderada por um traficante de armas.
CRÍTICA
Celso Sabadin
Quem vai ao cinema para ver G.I. Joe – A Origem de Cobra espera o quê? Muita ação? Aventura? Correrias, explosões e perseguições de tirar o fôlego? Humor? Efeitos especiais? Um roteiro, no mínimo, razoável? Então, prepare-se para a boa notícia: G.I. Joe – A Origem de Cobra não vai decepcionar o seu público. Com 82 dias de filmagens (aproximadamente o dobro da média normal), belas locações na Europa e mais de 160 cenários, a produção tem tudo para agradar aos fãs de um bom filme de ação.
O diretor Stephern Sommers utiliza mais uma vez o estilo que o tornou famoso em A Múmia: deixar o filme correr feito uma montanha russa e fazer com que o espectador se sinta dentro de um videogame, evitando, assim, qualquer tipo de reflexão e relevando qualquer eventual buraco de roteiro. Afinal, ninguém entra no cinema para ver G.I. Joe – A Origem de Cobra e pensar ao mesmo tempo.
Quem acompanhou a gênese dos personagens, desde a criação dos bonecos de ação, nos anos 80, passando por desenhos animados e outros subprodutos (não é o meu caso), tem restrições quanto à fidelidade das histórias e subtramas. Mas, para quem não conhecia nada de G.I. Joe (meu caso), o roteiro é envolvente e até bastante elaborado para este tipo de filme, trazendo várias reviravoltas e uma trama que realmente prende a atenção.
A ação se passa num futuro próximo, quando um gênio da tecnologia de armamentos acaba de desenvolver uma arma poderosíssima, à base de nanotecnologia biológica, capaz de corroer um tanque de guerra em segundos e uma cidade inteira em poucas horas. Tipo cupins altamente desenvolvidos. Obviamente, a tal tecnologia cai em “mãos erradas”, o que obriga os altos escalões do exército americano a lançar mão de sua sofisticada “tropa de elite” chamada G.I. Joe. A partir daí, vamos conhecendo aos poucos as histórias que colocaram em rotas de colisão personagens tão diferentes entre si, como o soldado americano Duke (Channing Tatum), sua namorada Ana (Sienna Miller) - que mais tarde se transformaria em rica baronesa -, o amigão Ripcord (Marlon Wayans, fazendo o sempre necessário contraponto cômico), o ninja Storm Shadow (Buyng Hun Lee), o ex-menino de rua Snake Eyes (Ray Park) e assim por diante, numa galeria de tipos ideal para vender muito licenciamento.
A trama, envolvente, é entremeada por várias cenas de muita ação (ou seria o contrário: as cenas de ação são entremeadas por uma trama?), na qual se destaca uma sensacional perseguição pelas ruas de Paris, que – viva a tecnologia digital! – foi totalmente rodada numa cidade do interior da República Checa. Só esta cena levou 14 dias de filmagens. E para quem curte uma subtramazinha política, o filme ainda acena com uma crítica à indústria armamentista, que vende indiscriminadamente, para quem puder pagar, tanto a espada como o escudo.
Lógica? Realismo? Racionalidade? Nem pensar. Afinal, estamos falando de um filme no qual o presidente dos Estados Unidos é um britânico, o galês Jonathan Pryce. A idéia é uma só: pura diversão. E, neste sentido, G.I. Joe – A Origem de Cobra entrega competentemente o que promete. UOL Cinema