quinta-feira, 13 de agosto de 2009

PRÓXIMAS ESTRÉIAS 14 DE AGOSTO: TEMPOS DE PAZ



Em 1945, para fugir da Segunda Guerra Mundial, imigrantes europeus chegam ao Brasil, no porto do Rio de Janeiro.

Lá, encontra-se o interrogador da polícia especializado em torturas Segismundo (Tony Ramos), funcionário oficial no governo de Getúlio Vargas, que interroga o ex-ator polonês Clausewistz (Dan Stulbach), que conseguiu escapar do nazismo depois de passar pelos horrores da guerra.
CRÍTICA
Angélica Bito, UOL Cinema.
Filmado em dez dias, com orçamento de R$ 1,5 milhão, Tempos de Paz leva às telas a peça Novas Diretrizes em Tempos de Paz, de Bosco Brasil, também autor do roteiro do longa.
O espetáculo foi escrito apenas para uma apresentação em novembro de 2001; o sucesso foi tão grande que o espetáculo estendeu sua temporada por mais dois meses; em maio de 2002, a peça, que já tinha Dan Stulbach no elenco, recebeu o reforço de Tony Ramos. Viajando pelo Brasil, a peça foi vista por mais de 60 mil pessoas em 156 apresentações.
O filme é um projeto pessoal de Daniel Filho, que, quando viu a peça, já propôs levá-la ao cinema. Atuando neste trabalho como produtor, diretor e ator, Filho carrega em seu nome o sucesso de Se Eu Fosse Você.
No entanto, não é isso que o espectador deve esperar encontrar em Tempos de Paz. A história é sobre o diálogo travado entre o imigrante polonês Clawsenvitz (Stulbach) e Segismundo (Ramos), chefe da imigração na Alfândega do Rio de Janeiro. Em 18 de abril de 1945, presos políticos são libertados e o governo brasileiro estreita relações com outros países com o fim da Segunda Guerra Mundial.
São as novas diretrizes de tempos de paz. Pressionado por todos os lados, Segismundo acaba descontando em Clawsenvitz sua frustração, ameaçando não permitir que ele entre no Brasil, sob a suspeita de atividades comunistas.
O filme gira em torno dessa batalha travada entre os dois personagens. No momento em que Segismundo desafia Clawsenvitz a fazê-lo chorar em troca do visto, a relação travada entre os dois personagens encontra o âmbito do teatro, levando o longa a um belo clímax. Mas trata-se da peça filmada. Existe uma trama paralela relacionada ao envolvimento de Segismundo com a tortura de presos políticos na época do governo de Getúlio Vargas, mas ela fica em segundo plano, caminhando perdida em meio ao centro da ação em Tempos de Paz, centrada nos dois personagens.
Destaca-se a atuação de Stulbach, capaz de arrancar lágrimas não somente dos personagens do filme no clímax final, mas também dos espectadores mais sensíveis. Com este filme, Daniel Filho mostra um projeto mais pessoal, que não deve alcançar as tremendas bilheterias de ambos os Se Eu Fosse Você, mas firma melhor as intenções artísticas do realizador, que também tem o objetivo de homenagear imigrantes europeus que chegaram ao Brasil após a Segunda Guerra Mundial.

Nenhum comentário: