
Leo (Cauã Reymond) é um jornalista endividado, que faz alguns trabalhos esporádicos, pelos quais não recebe pagamento.
Falta-lhe dinheiro para tudo: aluguel, para a esposa anoréxica e viciada, o filho dela, o salário da empregada.
Para tentar sanar suas dívidas, ele acaba se envolvendo em golpes armados por Marcin (Caroline Abras), um ser andrógeno.
CRÍTICA
Angélica Bito, UOL Cinema.
Se Nada Mais Der Certo é o quarto longa-metragem de José Eduardo Belmonte, que, aos 39 anos, imprime visíveis marcas na cinematografia brasileira. Seus dois primeiros filmes - Subterrâneos (2003) e A Concepção (2005) – foram rodados em Brasília; em 2007, voltou à cidade de São Paulo no independente Meu Mundo em Perigo para, com Se Nada Mais Der Certo, manter-se na mesma cidade, uma escolha geográfica que mostra-se claramente refletida na tela não somente pelas ambientações, mas também na definição dos próprios personagens.
Se Nada Mais Der Certo é o quarto longa-metragem de José Eduardo Belmonte, que, aos 39 anos, imprime visíveis marcas na cinematografia brasileira. Seus dois primeiros filmes - Subterrâneos (2003) e A Concepção (2005) – foram rodados em Brasília; em 2007, voltou à cidade de São Paulo no independente Meu Mundo em Perigo para, com Se Nada Mais Der Certo, manter-se na mesma cidade, uma escolha geográfica que mostra-se claramente refletida na tela não somente pelas ambientações, mas também na definição dos próprios personagens.
Em especial na obra de Belmonte, a questão do local é de extrema importância, já que ele desenvolve tramas que só poderiam ocorrer onde ele filma, o que ele já mostra em seu primeiro filme: Subterrâneos se passa no Conic, centro comercial localizado no centro de Brasília que reúne escritórios comerciais, igrejas, bares, puteiros e lojas de camisetas legais, de uma forma que somente quem vai lá e quem assistiu ao primeiro filme de Belmonte consegue ter ideia, mas jamais entender.
Neste quatro trabalho em longa-metragem, os painéis de neon da rua Augusta ajudam a dar o tom às relações afetivas nutridas entre os personagens do longa. Leo (Cauã Reymond) é um jornalista que sobrevive em São Paulo sem ter muito sucesso. A profissão é difícil, sabemos, e a cidade grande é capaz de devorar quem não está apto a viver nela. Em sua casa, vivem a empregada (que evidentemente não recebe salários há meses, mas continua lá para ter onde dormir), uma jovem que sofre de bulimia (Luiza Mariane) e seu filho pequeno – cuja relação com o protagonista não fica muito bem definida.
O envolvimento com Marcin (Caroline Abras) leva Leo a participar de golpes e negócios ilícitos a fim de melhorar suas condições de vida, que nunca dão certo, afinal. Em comparação a A Concepção, longa anterior de Belmonte que conseguiu chegar ao mercado comercial, Se Nada Mais Der Certo tem uma certa leveza, embora seus personagens transitem em situações complicadas, pesadas.
O filme de 2005 passa uma urgência violenta, provocativa, enquanto este traz a delicadeza das relações afetivas. As imagens de Se Nada Mais Der Certo trabalham muito com o foco e a falta dele. Os personagens são encarados pela câmera de perto.
Aliás, o filme não tem medo de encarar seus personagens de forma íntima, relação desempenhada pela proximidade das lentes de Belmonte. Com belas atuações, uma trama densa, desenvolvida de modo intenso, o filme é uma crônica de pessoas perdidas na cidade de São Paulo, esmagadas pela grandiosidade da grande metrópole.
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